sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

A História de Um Disco Viajante


    Ouvindo o carteiro na frente de casa, fui até a janela e recebi esse pacote amarelo cheio de selos e carimbos de Pernambuco. Nele, estava meu exemplar do disco Telemática que veio com uma história para contar.

    No fim do ano passado, eu descobri o músico China por acaso e me encantei pelo seu som urbano com um toque retro, sofisticado por questionamentos sobre o mundo sem esquecer os devaneios do coração. Ele estava preparando o lançamento do seu quarto disco e anunciou que os cem primeiros exemplares vendidos seriam autografados. Somado ao preço modesto, a proposta era irrecusável, principalmente se tratando de um disco tão bom quanto Telemática. Fiz minha encomenda e fiquei à espera do meu, mas tive uma notícia inesperada:

   China transportava uma caixa com 200 exemplares de seu novo álbum em um voo da TAM, mas quando recebeu seus pertences de volta, notou que várias capas de CDs estavam trincadas ou arranhadas. O músico também notou a falta de sete exemplares. Além de adesivar a caixa com um aviso de "frágil", China havia pagado pelo excesso de bagagem. Ele relatou que um funcionário da TAM teria se recusado a fazer uma ocorrência e o mandou se dirigir a central de atendimento. Ligando para a companhia, lhe disseram que não se responsabilizavam pelas bagagens dos passageiros. Além da indiferença da companhia, China lamentou o prejuízo, pois muitos dos discos já haviam sido pagos - e alguns até autografados. A situação só pareceu se resolver com a repercussão após ele se manifestar publicamente nas redes sociais, despertando a indignação de seus fãs e colegas, o que fez a TAM finalmente procurar o músico. Toda essa confusão atrasou um pouco o envio dos discos, mas isso não desanimou China de cumprir o prometido:


    Apesar de ser apenas uma dentre várias, a dedicatória de China representa algo especial para mim: o último verso sobre a empreitada de Telemática em atravessar o país, superando os infortúnios das vias aéreas para ser ouvido do nordeste ao sul do Brasil.

Felipe Essy


Quer conhecer a música de China? Confira o clip de "Arquitetura de Vertigem" abaixo:

sábado, 3 de janeiro de 2015

A História Entre os Cinco Exércitos



    Agora que mutos já assistiram ao Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos, é a hora de explorar algumas lacunas e entender melhor por que algumas coisas mudaram no filme. O texto a seguir está repleto de revelações do enredo, então considere-se avisado.


O PODER DE GALADRIEL


     Enquanto os anões se debatem e exércitos avançam, Galadriel adentra Dol Guldur e confronta Sauron para resgatar Gandalf, mas a cena parece extrapolar um pouco os limites do personagem. Alguns elfos possuem naturalmente dons que nós chamaríamos de “mágica”, mas que não são nada surpreendentes entre eles. Essas habilidades especiais normalmente são apenas uma percepção sensível. No caso de Galadriel, ela é capaz de vislumbrar o futuro – ou probabilidades dele – e ler pensamentos de outras pessoas, mas nada que possa ser usado como uma arma para atacar, embora essas duas habilidades em si possam ser perturbadoras para alguns membros da sociedade do anel. O que poderia realmente conferir à Galadriel a capacidade de rechaçar o Senhor do Escuro é o Nenya, um dos três grandes anéis do poder.

      Assim como os outros anéis, o Nenya é capaz de apenas preservar e proteger o que é determinado por seu portador. Dessa forma Galadriel mantém Lothlórien oculta e imune da ação do tempo, mas nenhum deles pode ser utilizado como uma arma, pois foi Sauron quem ensinou os elfos a como forjá-los e jamais teria dado tal conhecimento contra seus próprios interesses, pois ele desejava controlar os portadores. No entanto percebemos que Galadriel não teme essa influência na cena de A Batalha dos Cinco Exércitos. Isso se dá pelo fato de que seu anel foi um dos três únicos a serem criados escondidos de Sauron e assim Galadriel é capaz de utilizá-lo para se proteger do próprio Senhor do Escurdo, como protege suas terras, mas não pode lhe causar nenhum dano, mas não se engane: Essa não foi a única vez que a rainha de Lórien entrou em uma batalha e ela era considerada fisicamente capaz de defender a si mesma entre os elfos homens.


SARUMAN E SAURON

   Na investida contra Dol Guldur, pode parecer estranho que ninguém suspeite do posicionamento pouco ofensivo de Saruman contra Sauron, afinal ele era o mago mais poderoso da sua ordem e com conhecimentos muito além de Galadriel, mas assim como os outros magos, ele foi enviado à Terra-Média com propósitos que o impediam de enfrentar Sauron diretamente.


    Saruman era um dos Maiar, espíritos logo abaixo dos Valar que governavam a terra. Após o desaparecimento de Sauron com a perda do Um Anel, os Valar enviaram cinco Maiar sob a forma humana para socorrer os povos desolados pela sombra de Mordor, no entanto estavam proibidos de governá-los, pois eles temiam que os magos pudessem corromper-se como Sauron e transformar a Terra-Média num enorme campo de batalha pelo poder. Por isso foram proibidos de enfrentá-lo diretamente, principalmente por que eles partilham a mesma essência

   Tanto os magos quanto Sauron eram Maiar e assim como os Valar não possuíam forma física – embora pudessem adotá-la sem nela habitar. Assim, Sauron era capaz de assumir vários formas: serpentes, lobisomens e até vampiros, mas sem estar mortalmente ligado a elas (Sauron teve várias formas destruídos ao longo de sua existência). Por outro lado, Saruman e os outros magos são Maiar enviados à Terra-Média sob formas humanas e susceptíveis a todas vulnerabilidades físicas e emocionais de um corpo mortal, logo também tiveram seus poderes limitados a essas condições, as quais Sauron não estava sujeito. Sendo assim, nem Saruman ou Gandalf poderiam derrotá-lo em um confronto direto.

   Embora Saruman já estivesse aliado a Sauron durante a expedição de Bilbo, teria sido interessante explorar sua associação com senhor do escuro ao longo dos três filmes, afinal sua corrupção está intimamente ligada aos anéis do poder e o crescente poder de Sauron, mas apesar de parecer uma aliança, Saruman jamais pretendeu unir-se a Sauron, e sim usá-lo para encontrar o Um Anel e usá-lo. De fato Saruman chega a criar seu próprio anel, que amplia o poder de manipulação de sua voz, no entanto assim que os servos de Sauron trazem uma das palantiri para Mordor, Sauron a usa para influenciar e manipular Saruman que, reduzido a forma humana, foi facilmente corrompido.


LEGOLAS E A IDA A GUNDABAD


   Enquanto Saruman é pouco aproveitado como elo entre as trilogias, Legolas é explorado a exaustão, mesmo depois de protagonizar o segundo filme mais que o necessário, no entanto a sua relação com o rei Thranduil acabou mostrando-se interessante na história. O que deixou os espectadores meio perdidos foi a expedição relâmpago que Legolas e Tauriel fazem à desolada região de Gundabad, aparentemente sem importância para o enredo, já que não entendemos bem por que as tropas de Azog se encontram lá. Na verdade, Gundabad era um antigo ponto estratégico de Sauron criado especialmente para se vingar de uma antiga desavença entre ele os anões de Moria.


   Quando Sauron planejou usar os elfos para forjar os anéis do poder, ele disfarçou-se como emissário dos Valar, oferecendo seus conhecimentos a Gil-Galad, senhor de Lindon, no entanto ele não acreditou em tais ofertas. Sauron então recorreu aos elfos artíficies de Eregion, nas Montanhas Sombrias próximo à Moria. Deslumbrados com as obras que poderiam criar com os conhecimentos de Sauron, eles o acolheram sem hesitar, ajudando a forjar os anéis do poder, mas Sauron acabou se revelando com a criação do Um Anel e os elfos de Eregion descobriram seus planos. Sauron então ataca Eregion e o rei Gil-Galad envia Elrond para conduzir os exércitos de Lindon em seu auxílio, mas Eregion é devastada e Elrond foge. Sauron o teria alcançado se não fosse pelos anões de Moria, que haviam se aproximado dos elfos daquela região. Eles recuaram para Moria, deixando Sauron impotente do lado de fora dos portões. Irado, mas incapaz de invadir Moria, ele mandou orcs ocuparem o monte no extremo norte das Montanhas Sombrias, Gundabad, a espera da oportunidade.


   Após muitas tentativas fracassadas de dominar o norte, Sauron concentra suas forças em Mordor, mas muitos orcs continuam em Gundabad, dentre eles o filho de Azog que anseia por vingança contra os anões do norte, pois no livro Azog foi morto anos antes por Dáin pé-de-ferro, o primo de Thorin que o socorre na Batalha dos Cinco Exércitos. Originalmente Dáin mata Azog contra a provocação que Azog fez ao avô de Thorin: O antigo rei Thrór estava desesperado após a destruição de Erebor, então ele decidiu partir para Moria onde acreditava que poderia encontrar a salvação para sua família, no entanto os orcs o decapitaram e entregaram a cabeça de Thrór aos anões com "AZOG" inscrito em sua testa, junto com algumas moedas enquanto o chamavam de mendigo. Os anões planejam sua resposta durante sete anos e vários clãs se unem em um grande ataque que varreu as Montanhas Sombrias em busca de Azog. Quando as tropas lideradas por Thráin, filho de Thrór, chega a Moria, ele descobre que Azog também os esperava com um exército. Os anões começavam a ficar em desvantagem quando chegam os reforços das Colinas de Ferro e retribuem a gentileza de Azog, cravando sua cabeça numa estaca com um saco de moedas em sua boca. 


A PEDRA ARKEN E O COLAR DE THRANDUIL


    Quando a famigerada batalha começa a se formar, a Pedra Arken volta a protagonizar a história. Apesar da aparência quase espacial, não há nada de sobrenatural nela, a não ser a crença dos ancestrais de Thorin de que a presença da pedra nos salões estava ligada à glória do reino de Erebor. Peter Jackson preferiu explorar um aspecto mais místico da pedra Arken, já que ela estava fortemente vinculada à ambição de Thorin, mas uma parte tão importante da trama acabou simplesmente esquecida no final do filme. Não vemos mais depois de Bard guardá-la sob seu manto nos portões de Erebor. Os leitores também sentiram falta de um dos momentos mais emocionantes do livro, quando a pedra é depositada sobre o peito de Thorin em seu enterro. No livro é dito que seu primo Dáin se torna o rei de Erebor, trazendo muitos de seu povo aos salões sob a montanha. Uma decima quarta parte da fortuna de Erebor é dada ao povo de Bard em cumprimento ao acordo que Thorin originalmente fez (no livro) com Bard em troca da pedra Arken, mas Bard o envia ao rei da Cidade do Lago, que morre fugindo com esse tesouro – e não o dos cidadãos da Cidade do Lago, como no filme.


    Uma outra joia esquecida no filme é o colar de gemas brancas que Thranduil se refere antes de partir para Erebor. Embora esse interesse apareça pouco nas versões exibidas no cinema, o colar tem destaque em uma cena estendida de Uma Jornada Inesperada. Nela, Bilbo conta a história de Erebor, em que Thranduil visita o rei Thrór na montanha para lhe prestar homenagem quando ele lhe oferta um baú em que Thranduil vê um brilhante colar de jóias. No momento em que o rei elfo se aproxima para tocá-lo, o baú é abruptamente fechado e Thranduil retira-se ofendido. Enquanto isso, Bilbo diz: “Não se sabe como começou. Os elfos dizem que os anões o roubaram. Os anões têm outra versão, de que os elfos não pagaram o preço justo.” Essa é uma referência clara a uma joia central na origem entre a discórdia dos elfos e anões, o Nauglamir. Isso alardeou vários fãs, pois inserir esse colar no enredo de O Hobbit interfere diretamente no livro mais importante da mitologia tolkieniena, O Silmarillion. Aparentemente Peter Jackson pensou duas vezes e mudou de ideia em A Batalha dos Cinco Exércitos, transformado o Nauglamir em um simples colar feito para a mulher de Thranduil, cujo interesse é exclusivamente emocional. Ainda assim, o colar desaparece na narrativa do último filme, assim como a pedra Arken. Talvez ambos apareçam na versão estendida, mas ainda sim me parece um deslise de roteiro.

    Esse colar que teria sido da mulher de Thranduil na verdade não existe nos livros, mas outra jóia sim: Após receber uma décima quarta parte do tesouro, Bard encontra o Colar de Girion, uma bela jóia composta de quinhentas esmeraldas. Ele o da para Thranduil como retribuição pela ajuda prestada após a destruição da Cidade do Lago. Vale lembra que Giron foi o ancestral de Bard que governara Dale antes da chegada de Smaug. Bilbo também foi recompensado com dois baús de ouro - devidamente aumentados pelas lendas do Condado.


Espero que vocês tenham gostado do post, ele acabou demorando mais do que o esperado, mas acho que valeu a pena, mas o filme não é o único assunto desta postagem: Hoje seria o 122º aniversário de Tolkien se ele estivesse vivo - de dar inveja até a Bilbo, e deixo aqui um trecho de Frankenstein que me lembrou dele:

"Teria essa mente, tão permeada de ideias, maravilhosas e magníficas fantasias, que formaram um mundo, cuja existência dependia da vida de seu criador - teria essa mente perecido? Isso agora só existe na minha memória? Não, não é assim; Sua forma moldada tão divinamente, e iluminada pela beleza, tem decaído, mas seu espírito ainda visita e consola este singelo amigo."

- Mary Shelley

Parabéns, professor!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

O Fracasso dos Cinco Exércitos


    Após o desfecho épico de O Retorno do Rei, houve rumores de uma adaptação de O Hobbit, mas era algo tão distante que ninguém acreditou que pudesse mesmo acontecer. Quase dez anos depois, eu vibrei assistindo ao primeiro trailer, mas o filme acabou não sendo bem o que eu esperava. Mesmo após uma sequência que me agradou menos, eu ainda acreditava que o último filme salvasse a trilogia, mas tudo acabou destruído em uma interminável Batalha dos Cinco Exércitos.

   Quem conhece os filmes que eu assisto, sabe que eu sou um espectador bem paciente, mas o último Hobbit conseguiu extrapolar todos os meus limites. Foi sem dúvida o pior filme que eu já vi na minha vida. Não como uma adaptação, nem como um sucessor de O Senhor dos Anéis, mas como um filme em si. Sequências de ação intermináveis, justapostas por diálogos fracos que não adicionavam nada a história, a não ser novas batalhas que pareciam mais uma exibição de malabaristas. Sinceramente, eu não teria reconhecido a direção de Peter Jackson se o crédito não estivesse estampado na tela, e o que era para ser uma prequela de um dos filmes mais marcantes do cinema se transformou em algo completamente irreconhecível.


    A trilogia original desafiou os parâmetros tradicionais de Hollywood, narrando uma história complexa em um mundo fantástico sob uma perspectiva séria, quase cinzenta, enquanto O Hobbit retrata um mundo colorido, onde magos ofuscam a tela com conjurações fluorescentes e elfos derrotam exércitos com piruetas. O Senhor dos Anéis e O Hobbit são livros com propostas diferentes, mas como uma sequência da produção anterior, era necessário que essa nova trilogia se conectasse com a adaptação original, não apenas através de referências e cenários familiares, mas com a mesma profundidade de roteiro e conceito estético. Apesar da impressionante qualidade técnica, o excesso de efeitos computadorizados resultou em algo artificial demais para não infantilizar o filme, exatamente como o próprio Peter Jackson afirmou evitar em A Sociedade do Anel. 

   No fim das contas, acho que Peter Jackson quis se superar outra vez, ousando com novas tecnologias – que sempre foram uma paixão sua, mas provavelmente exigiu tanta atenção que o mérito do roteiro conquistado na trilogia original acabou esquecido. Três filmes para adaptar um livro foi exagero, mas quem conhece o universo de Tolkien sabe que havia muita coisa para preencher todo esse espaço. O que aconteceu com os anéis do poder dos elfos, a natureza dos magos, Angmar e o declínio de Gondor. Inúmeras possibilidades de não apenas entrelaçar a franquia, mas explicar vários elementos importantes para um melhor entendimento da Guerra do Anel. A trilogia de O Hobbit acabou apenas esticando o livro em três partes sem adicionar alguma coisa que justificasse tudo isso.


   Coisa de fã saudoso? Talvez. Há quem tenha gostado do filme, mas de qualquer forma é pouco provável – para não dizer impossível – que uma nova adaptação dos livros de Tolkien seja feita. Não é por falta de vontade dos estúdios, mas o herdeiro responsável pelo legado de Tolkien, seu filho Christopher, detesta os filmes. Todos. Se o próprio Tolkien não tivesse vendido os direitos em vida, é provável que jamais víssemos qualquer um deles no cinema. E nesse caso nem o dinheiro de Hollywood poderia resolver o problema, pois Christopher Tolkien já deixou de falar com o próprio filho só por que ele elogiou a adaptação de O Senhor dos Anéis. Pessoalmente eu não me interesso em ver outra adaptação de Tolkien nos cinemas. Eu amei O Senhor dos Anéis, O Hobbit teve sua oportunidade e assim a narrativa da Guerra do Anel foi finalmente concluída. A verdadeira Terra-Média só existe nos livros e eles existem justamente para mergulharmos nesse universo. Enquanto isso, Hollywood terá que procurar outro anel do poder para se esconder, por que algo me diz que ele se perdeu de vez.


   No próximo post, iremos explorar melhor alguns detalhes da história de "A Batalha dos Cinco Exércitos" e explicar algumas curiosidades. Até a próxima!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Tour pela Terra-Média


    Buenas, pessoal! Dois anos após a Terra-Média voltar aos cinemas, a jornada de O Hobbit finalmente chega ao fim. Como de costume, o blog traz algumas publicações especiais sobre essa obra, e como já faz um ano desde A Desolação de Smaug, nada melhor que dar uma refrescada na memória. Confira uma seleção das publicações já feitas no blog sobre O Hobbit e O Senhor dos Anéis para entender melhor esse universo:


CURIOSIDADES



    A intriga entre as duas raças vai muito além de Erebor e a Floresta das Trevas, com origens tão intrincadas que é difícil determinar quem começou, no entanto as inscrições em élfico nos portões de Moria indicam que nem sempre foi - assim antes que algo acontecesse. Clique na imagem acima e descubra essa história.



    Aqui temos respostas para algumas coisas nos filmes e até mesmo nos livros que nem sempre são explicadas. Afinal, porque Sauron escava tanto? Por que só os Elfos podem ir para as Terras Imortais? Que lugar é esse, aliás? E por aí vai.



   Na segunda parte do post, descobrimos qual é a ligação entre a comitiva dos anões e a Sociedade do Anel, a origem das aranhas Gigantes e por que a Floresta das Trevas tem esse nome.



EXPLORANDO O HOBBIT


    Nesse post sobre o primeiro filme, nos aprofundamos um pouco mais no universo introduzido por Peter Jackson, falando mais do Conselho Branco, dos Magos e do sumiço de Radagast em O Senhor dos Anéis.


     A preocupação de Gandalf com a fortaleza de Dol Guldur ganha mais detalhes aqui, revelando as suas consequências na Guerra do Anel.


     No post dedicado ao segundo filme, falamos mais de Beorn, o troca-peles; As Aranhas Gigantes na Floresta das Trevas; Os Elfos Selvagens; Smaug e outros Dragões.


TRILHANDO A TRILOGIA DO ANEL

   Nesta série de posts, a primeira trilogia dirigida por Peter Jackson é explorada nos mínimos detalhes, preenchendo lacunas, explicando referências e revelando alguns deslizes. Neles você entenderá melhor alguns elementos e citações dos filmes, além de respostas para dúvidas que assolam até mesmo os mais familiarizados com os livros. De quebra ainda há um glossário no fim de cada post para você não se perder.



     Entenda um pouco melhor a origem do Um Anel e dos outros anéis do poder. Por que Aragorn é um guardião e algumas relações com o Hobbit no Conselho de Elrond.



    Continue a trilha pela Sociedade do Anel explorando a origem de Moria, por que só há um Balrog e como ele parou lá, além de entender um pouco mais sobre o espelho de Galadriel.



    Comece entendendo o título - que nem o próprio Tolkien tinha certeza quando escolheu - e conheça mais das outras torres citadas no filme. Conheça a história completa entre a queda de Gandalf na ponte de Khazad-dûm e seu retorno como "o Branco", além da origem de Rohan e da criação dos Orcs e Uruk-Hai.



    Aqui temos informações importantes para entender o desfecho em O Retorno do Rei: Quem são os Homens que apoiam Sauron, por que os Elfos socorrem Rohan e não Gondor, além do resultado do placar entre Legolas e Gimli na batalha de Helm.



    Se você não leu os livros ou não assistiu as versões estendidas, é uma boa oportunidade de saber o fim de Saruman ou entender o papel das Palantíri em O Senhor dos Anéis, o que era Minas Morgul antes de ser tomada pelas forças de Sauron ou de onde veio Laracna.



     Em um filme chamado "O Retorno do Rei", não é bem explicado por que Aragorn estava exilado. Eis uma chance de descobrir e entender a influência de Isildur nessa história. O retorno de Aragorn encerra o chamado "Declínio de Gondor", que também é contado aqui, como a origem do reino e seu símbolo, a Árvore Branca.

Semana que vem tem material novo sobre Tolkien e O Hobbit, um abraço!

Felipe Essy

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

A Vingança dos Filmes B


    O Cinema que domina as salas de exibições normalmente é algo tão super-produzido que pode ser difícil assistir pequenas produções, mas o cinema independente vem popularizando-se como uma alternativa ao publico cansado dos enlatados americanos. Surgiu então o festival A Vingança dos Filmes B, que promove a produção cinematográfica no estado e reprisa alguns clássicos do gênero.

   A quarta edição do festival retorna movimentando o cinema independente no estado e exibindo filmes que não encontram espaço nas salas de cinema comerciais, seguido de debates com diretores e outros profissionais do meio após as sessões. Apesar de apresentar um campo desconhecido pela maioria das pessoas, o festival apresenta títulos interessantes mesmo para quem não tem intimidade com produções alternativas. O festival acontece na capital entre os dias 09 e 14 de Dezembro, na Sala P.F. Gastal. A seguir, alguns destaques do festival, seguidos da programação completa:

KASSANDRA


     Após um acontecimento traumático, Kassandra perde a fala, passando a viver sozinha em um enorme apartamento, no entanto uma entidade estranha passa a assombrá-la, ao mesmo tempo que cartas de tarô aparecem misteriosamente em seu apartamento. O diretor Ulisses Costa representou a tensão da percepção silenciosa da jovem Kassandra em preto e branco, explorando o contraste das sombras incrementado pela bela trilha e efeitos de som desenvolvidos especialmente para o curta, incluindo improvisações em um piano desmantelado. A produção recebeu diversos prêmios como Melhor Filme e Direção, no Primeiro Festival de Cinema Online (DF); Melhor Direção de Arte e Trilha Sonora, pelo Cineserra (RS); E Melhor Fotografia, no 41º Festival de Cinema de Gramado, dentre outras premiações. Para aqueles interessados no curta, o super blog alimentado pela produção é uma fonte de diversão ilimitada.

11 de Dezembro - 20:00
Duração: 25 min
Direção:Ulisses da Motta Costa
Rio Grande do Sul, 2013

O ESTRIPADOR DA RUA AUGUSTA




     Para quem curte fluídos na tela e uma boa dose de humor negro, a direção assinada por Felipe Guerra e Geisla Fernandes é um prato cheio - e com tempero nacional. Ambientado na rua mais agitada de São Paulo, o curta traz uma sedutora mulher que se passa por prostituta para atrair vítimas para seu covil, onde secretamente alimenta-se do sangue delas há gerações. O que ela não previa era encontra outra figura macabra da rua Augusta: o Estripador. A produção conta com a autenticidade da ex-atriz pornô Mônica Mattos, premiada internacionalmente, que junto com o Estripador abusará do talentoso técnico em efeitos especiais Kapel Furman, que já trabalhou ao lado de nomes como Zé do Caixão. Após a exibição do curta, o diretor Felipe Guerra participará de um debate junto de outros profissionais do meio.

11 de Dezembro - 20:25*
Duração: 20 min
Direção: Felipe Guerra e Geisla Fernandes
Rio Grande do Sul/São Paulo,  2014

CONDENADOS À VIVER


    No início dos anos 90, o espanhol Joaquín Marchent realizou um dos últimos grandes western, considerado o mais violento do gênero, em que um grupo de prisioneiros são abandonados à esmo nas montanhas, acorrentados uns aos outros pelos calcanhares. Descobrindo que as correntes que os uniam era de ouro puro, inicia-se  a luta sangrenta pela posse do metal precioso, levando a ambição humana a níveis perturbadores. Os fãs do gênero e curiosos podem conferir a exibição na telona no festival.

11 de Dezembro - 16 horas
Duração: 90 min
Direção: Joaquín Marchent
Espanha, 1972

O SEGREDO DA FAMÍLIA URSO


   No curta dirigido por Cíntia Bittar, uma família está prestes encarar seus segredos quando a pequena Geórgia resolve descer ao porão de sua casa, onde ela descobre as perturbadoras experiências do regime militar sob o seu assoalho. O curta foi premiado como Melhor Curta - Juri popular pelo 10º Fantaspoa. Seleção Oficial, pelo Mórbido Film Fest (México) e Melhor Ator, pela 21ª FLVR (Argentina).

12 de Dezembro - 20:30*
Duração: 20 min
Direção: Cíntia Bittar
Santa Catarina, 2014

O CAÇADOR


    O curta dirigido pelos canoenses Taísa Marques e Rafael Duarte retratam os conflitos de um jovem caçador sozinho pela primeira vez na defesa de seu território após a morte do pai. O protagonista é interpretado por Samuel Reginatto, que buscou na sua infância interiorana em Três Coroas a essência da relação entre seu personagem e a terra, onde inclusive parte do filme foi rodado. O filme foi indicado a Melhor Curta Gaúcho no Festival de Cinema de Gramado em 2014.

12 de Dezembro - 20:45*
Duração: 20 min
Direção: Taísa Marques e Rafael Duarte
Rio Grande do Sul, 2014


Felipe Essy

* Os horários destacados são uma estimativa, com base na sequência e duração informadas na página da Sala de Cinema P.F. Gastal.

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PROGRAMAÇÃO COMPLETA

09 de Dezembro (terça-feira)

19h - Confraternização no saguão da Sala P.F.Gastal
20h – ABERTURA - SESSÃO SHORT CUTS: A Vingança da Filha de Bruce Lee (05’) (trailer raro) + Pray (15’) + Revelações de um Cineasta Canibal (15’) + Carne (20’) + Nua Por Dentro do Couro (20’). Total: 75 minutos. Após a sessão debate com o cineasta Cláudio Ellovitch.


10 de Dezembro (quarta-feira)

18h- SESSÃO SHOOT OR DIE I: Trash Vol.01 e Vol.02. Total: 50 minutos
20h- SESSÃO COMEMORATIVA 30 ANOS DE “GREMLINS” (1984 / 106’), DE JOE DANTE (Após a sessão debate com o cineasta Giordano Gio e o crítico Cristian Verardi).


11 de Dezembro (quinta-feira)

16h- SESSÃO MALDITA MATINÉE- Condenados a Viver (Condenados a Vivir), de Joaquín Luis Romero Marchent (Espanha / 1972 / 90’)
18h- SESSÃO SHOOT OR DIE II: Trash Vol.03 (25’) + Red Hookers (20’). Total: 45 minutos.
19h- Lançamento do livro Cemitério Perdido dos Filmes B: Redux, de César Almeida, e revista Hatari Nº1 (especial western).
20h- SESSÃO SHORT CUTS II: Kassandra (25’) + O Estripador da Rua Augusta (20’) + Vancouver Caliber 9 (12’) + Sexta-Feira da Paixão (12’). Total: 69 minutos. Após a sessão debate sobre cinema de gênero com Christian Caselli, César Almeida, Ulisses da Motta Costa e Felipe Guerra.


12 de Dezembro (Sexta-feira)

18h- SESSÃO SHOOT OR DIE III: Trash Vol.04 e Vol.05. Total: 50 minutos.
20h- SESSÃO SHORT CUTS III: Canibal Tropical (5’) + Eu & a Loira (12’) + Cidade Média (15’) + O Segredo da Família Urso (15’) + Caçador (20’) + Castillo Y El Armado (14’). Total: 81 minutos


13 de Dezembro (sábado)

15h- SESSÃO SHOOT OR DIE IV: O Anão (8’) + Mal Passado (20’) + Síndrome de Lobisomem (60’). Total: 88 minutos.
17h30 – SESSÃO OBSCURUM: ESPECIAL DENNISON RAMALHO- Nocturnu (11’) + Amor Só de Mãe (21’) + Ninjas (23’). Total: 55 minutos. Após a sessão debate com o cineasta Dennison Ramalho.
20h- SESSÃO AURORA -FILME SURPRESA. Após a sessão debate com os organizadores do projeto Zinematógrafo.


14 de Dezembro (domingo)

15h- SESSÃO SERRA DO MEDO: Parasitas do Lodo (26’) + A Maldição do Sanguanel (71’). Total: 97 minutos.
17h- SESSÃO FRONTEIRA DE SANGUE- Achuras 2 (60’ / Uruguai / 2013).
Após a sessão debate com o cineasta uruguaio Manuel Facal.
19h30- SESSÃO SHORT CUTS IV:
Ruído Branco (7’) + Berenice (10’) + O Carniçal (12’) + O Terno do Zé (20’) + Ia Dizer que Voltei (30’). Total: 79 minutos. Após a sessão debate com os cineastas Leandro Engelke, Vinícius Lopes e Mateus Frazão

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Da Capital à Hogwarts

    Buenas, pessoal! Pouco mais de uma semana após o Encontro de Sagas, consegui retomar o fôlego para falar um pouco de como tudo aconteceu e compartilhar essa grande experiência. Confere aí!


    A ideia surgiu ano passado entre alguns amigos que estudavam juntos, mas conforme o projeto foi exigindo mais dedicação, um a um foram deixando a iniciativa até que apenas um deles ainda cogitasse realizar o Encontro de Sagas. Foi nesse momento que eu entrei em contato com a Andrea, que ponderava se ainda iria realizar o projeto.  Conforme conversamos, as ideias ganharam fôlego e decidimos arregaçar as magas para tentar fazer o melhor possível com o pouco tempo e recursos que tínhamos. Com a colaboração de alguns amigos que também aceitaram entrar na empreitada, Márcia Peixoto e Neidson Souza, demos início aos preparativos do Encontro de Sagas.

   Não tínhamos a menor ideia do que iria acontecer. Muita gente estava empolgada com a ideia, mas sempre fica aquele receio: será que alguém vai aparecer? Para ajudar, não conseguimos folders próprios para divulgação e o jeito foi ir nas escolas de ensino médio sala por sala falar um pouco do evento. No fim apareceram várias pessoas, não uma multidão, mas um número que nos deixou satisfeito principalmente pelo envolvimento de quem participou. O mais legal foi ver que as mesmas pessoas voltavam e muitas vezes participaram de todas as atividades durante o dia. Assim além de realizar um sonho, fizemos novos amigos

Andrea Souza durante os preparativos do Encontro de Sagas
     As competições de sagas se mostraram super divertidas, como todos correndo de uma lado para o outro, quando não se atracavam para vem quem levava uma bandeira. Os desavisados que observavam aqueles adolescentes correndo desesperados de uma lado a outro do parque Tedesco ficavam intrigados, o que tornou tudo ainda mais engraçado. Obviamente teve gente de fora que não entendeu a brincadeira, mas basta dizer que houve escolas nos procurando para realizar as competições nas suas dependências e não é todo dia que esses convites acontecem.

   Quando eu planejei a oficina de cerveja amanteigada, eu não imaginei que excesso de participantes seria um problema, mas conforme o pessoal foi sabendo da ideia, comecei a cogitar fazer grandes quantidades. Várias pessoas de idades diferentes apareceram e riram bastante das minhas discussões sobre meias com a Andrea, o que disfarçou um pouco meu nervosismo. O importante foi que deu tudo certo, nos divertimos e todos puderam provar um bom copo de cerveja amanteigada direto do Três Vassouras.

Neidson Souza e Márcia Peixoto no bate-papo sobre Harry Potter.
   Os bate-papos foram sem dúvida o melhor momento do Encontro de Sagas, pois foi onde pudemos conhecer outras pessoas da nossa cidade que gostam desse assunto e trocar ideias. Discussões sobre fatos intrigantes das tramas e da simbologia nos livros renderam muito mais do que o esperado e mesmo após o anuncio do término do bate-papo, muitos continuaram ali a conversar com a gente. Foi realmente incrível e reunindo um pequeno grupo que ali estava, formamos uma equipe para discutir e organizar o evento do ano que vem. Muitas ideias pipocando e entusiasmo de todos os lados, o que de longe foi o melhor resultado dessa singela realização.

   Agradecemos imensamente o envolvimento de todos que estiveram ao nosso lado nesse Encontro de Sagas: Primeiramente à Andrea Souza, que nunca abandonou a ideia e se dedicou completamente ao projeto; Ao Maurício da La Mancha que apesar da correria, foi o mais prestativo possível; À Miriam que nos auxiliou no Qorpo Santo; Ao nosso amigo Neidson que aceitou se aventurar num bate-papo de Harry-Potter; À minha mulher Marcinha que além de fazer uma incrível fala sobre Jogos Vorazes, também me auxiliou na correria da organização; E claro a todos participantes do Encontro de Sagas. Foram dias maravilhosos, obrigado pessoal.

Felipe Essy

domingo, 17 de agosto de 2014

Cerveja Amanteigada


     Buenas, pessoal! Depois do sucesso do Encontro de Sagas, trago ao blog a receita da famosa bebida dos livros de Harry Potter, a cerveja amanteigada, que produzimos em duas oficinas durante o evento. Além de divertida, é uma receita muito simples e barata. Então pegue a varinha e aproveite!

    Se tratando de uma receita fictícia, é difícil  superar as expectativas, principalmente quando falamos de uma saga tão querida, mas eu fiquei bem satisfeito com nossos resultados. Embora não seja dito explicitamente que a bebida possuí álcool, fica entendido que haveria uma suave quantidade na bebida que embriagava elfos, mas não chegava a afetar os humanos. Pesquisando um pouco descobri que a bebida é inspirada numa receita britânica real de 1588, feita de açúcar, ovos, açúcar, nozes, cravos e manteiga, é claro. Apesar disso, resolvi procurar uma receita que não utilizasse álcool para que qualquer um pudesse participar da oficina - inclusive uma mocinha de cachinhos pretos muito simpática. Dentre muitas variações que incluíam creme de leita, sorvete e outras coisas que prometiam um ataque aos diabéticos, encontrei essa receita que deu super certo.

Para uma quantia que garanta quatro copos, você vai precisar de:

1 xícara de açúcar mascavo;
4 colheres de água;
4 colheres de essência de baunilha;
100 gramas de manteiga sem sal;
suco de 1 limão;
uma pitada de sal;
1,5 de água com gás

    Adicione o açúcar mascavo em uma panela pequena com as quatro colheres de água. Cozinhe até borbulhar, então coloque a manteiga. Não substitua por margarina, pois além do sabor, a manteiga também dá cor e consistência à bebida. Para contrastar o doce, adicione o suco de limão e uma pitada de sal. Por último, adicione quatro colheres de essência de baunilha e deixe esfriar, mas não espere demais se não o caldo irá endurecer. Para servir, coloque quatro colheres do preparo por copo e adicione água com gás. Mexa antes de beber para formar a espuma e aproveite! Para deixar a bebida mais doce, apenas adicione mais açúcar mascavo, mas cuide na dose, pois a menor adição faz muita diferença.
Espero que experimentem e tenham gostado, um abraço!

Felipe Essy



domingo, 27 de julho de 2014

Lançamento do Prosa na Varanda 2

    Buenas, pessoal! O Prosa na Varanda mais uma vez mostrou-se um projeto bem sucedido, tanto pela produção do livro, quanto pela recepção de público. Saiba como foi o lançamento no post de hoje.


    O livro Prosa na Varanda foi uma iniciativa do Grêmio Literário que, após a 24ª edição da antologia poética Poesia na Praça, buscava expandir suas atividades literárias para crônicas. Bem sucedida, a nova edição trouxe um outro gênero ao projeto, o conto. Aliás muito bem explorado pelos escritores que conseguiam desenvolver consideravelmente o potencial presente na publicação anterior.Saiba como foi o lançamento do livro no post de hoje:

   Apesar da chuva que ameaçava prejudicar o evento, uma boa quantidade de pessoas circularam pelo Qorpo Santo na última quinta-feira, mostrando mais uma vez que Santo Antônio da Patrulha é uma cidade onde a nossa literatura é apreciada tanto por quem produz quanto por quem consome, pois antes mesmo que o evento fosse iniciado às 19:00, autógrafos já eram pedidos e não cessaram mais de duas horas depois. Além disso muitos foram os convidados que, não podendo comparecer, reservaram seus exemplares, o que mostra que há um notável interesse de nossos conterrâneos pelo trabalho de artistas locais, até mesmo das pessoas mais inesperadas:

A generosa leitora Fernanda Lauck e eu.
   Antes de iniciarmos a sessão de autógrafos, a responsável pela venda dos livros tentava explicar para uma menininha de seis anos que suas moedas não eram o suficiente para comprar o livro. A menina era Fernanda Lauck, filha de uma das escritoras participantes, Elaine Lauck, e não percebendo que levaria vários livros para casa, decidiu ir à mesa dos escritores e dar uma moeda para cada um já que não podia comprar seu próprio livro com elas. Encantados com a generosidade da menina, tentamos a todo custo devolver a contribuição, mas Fernanda foi irredutível e não aceitou. Eu fiz questão de guardar a minha e tirar uma foto para lembrar dessa pequena leitora.

   Toda alegria deste dia, no entanto, não foi o suficiente para esquecer a falta do colega Nelson Osíris, falecido pouco depois de sua participação na primeira edição do Prosa. Ele inclusive era o mais excitado com a continuidade do projeto e, além da dedicatória no livro, sua importância não pode deixar de ser citada na abertura do evento pelo presidente do Grêmio Literário, Maurício Collar. Ao mesmo tempo que sua criticidade inteligente era polêmica, o carinho com que tratava os amigos cativou seus colegas de Grêmio e certamente estará sempre presente nas ideias que construímos juntos como esse livro, mas ainda que Nelson não estivesse na mesa de autógrafos, muitos foram os amigos presentes, alguns deles contribuindo significantemente para o livro de maneira extra-literária:

O tecladista Diogo Barcelos, acompanhado da voz de Claire Wincke.
  O escritor e médico pediatra Silvano Marques nos entrevistou colhendo depoimentos sobre nossa experiência com a publicação, da mesma forma que fez no ano passado. Diogo Barcelos e Claire Wincke emprestaram seus talentos musicais para entreter o público enquanto a sessão de autógrafos acontecia. Além disso outras pessoas envolvidas na produção do livro estavam presentes: o mestre em literatura Eduardo Jablonski, responsável pela revisão do livro e o ilustrador Gustavo Vargas, que criou a belíssima capa das duas edições.

     Para quem não pode comparecer no lançamento, os livros estarão sendo vendidos na livraria La Mancha ou também diretamente com os autores. Quem estiver interessado em adquirir o seu, pode entrar em contato comigo pelo e-mail blogfelipeessy@hotmail.com. Nos vemos no post de terça-feira, um abraço!

Felipe Essy

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Quatro Invernos de Blog!


     Buenas, pessoal! Advinha quem está de aniver hoje? Não, não sou eu. É o blog! Desde o meu primeiro poema 2010, o que era apenas um forma de mostrar meus versos engavetados se transformou em algo que eu me dedico muito. Na verdade ultimamente tem sido muito difícil manter esse pique, pois passei a trabalhar tarde/noite ao invés de manhã/tarde e confesso que ainda não consegui me organizar bem com os novos horários, além disso tem os preparativos para o meu casamento - e não são poucos! Apesar de tudo isso, abandonar o blog é algo que está longe de acontecer: Eu amo escrever e ainda tenho muitas ideias para colocar em prática aqui. Algumas terão de esperar um pouco, mas sinto que tudo está se encaminhando, afinal para quem começou desengavetando poemas, 242 postagens é um grande progresso. Ainda há muitas coisas para melhorar, mas nem por isso eu deixo de estar contente com esse pequeno filho cibernético.

    Também é legal saber que eu não estou me divertindo sozinho, pois desde aquele 25 de Julho quatro anos atrás, mais de 26.000 passaram por aqui e isso me deixa muito feliz, não pela quantidade, mas por saber que há algumas pessoas que me visitam sempre que eu escrevo alguma coisa. São companhias intocáveis, mas que de certa forma me incentivam a continuar, pois sei que além de me divertir escrevendo posso compartilhar isso com alguém que gosta do que eu faço. Aliás sempre vale lembrar que uma boa parte da força que movimenta esse projeto vem do apoio e colaboração da Marcinha, minha mulher. Desde ler os posts antes de publicar até mandar fazer cartões de apresentação do blog. Uma sonhadora que adora se meter em um novo disparate, assim como eu. Exemplo disso é que não bastasse o lançamento do Prosa na Varanda 2 ontem e a Feira do Livro em Agosto, resolvemos meter nosso bedelho no Encontro de Sagas. Esse é outro projeto que estamos bastante envolvidos, por isso vou encerrar esse post por aqui que o tempo é curto. Um grande abraço a todos vocês que acompanham o blog, domingo tem post sobre o lançamento do Prosa 2. Inté!

Felipe Essy


terça-feira, 22 de julho de 2014

20 Anos de Reinado Felino

    Buenas, pessoal! Todos nós temos filmes que nos marcaram em algum momento das nossas vidas. Nem sempre são clássicos do cinema, mas algo neles nos cativa e transforma nosso modo de ver as coisas. Alguns anos atrás O Senhor dos Anéis e Harry Potter foram exemplos de filmes marcantes para toda uma geração. O primeiro foi muito importante para mim,  mas muito antes dele houve um desenho que me aproximou de coisas essenciais para que eu pudesse ver e escutar o mundo como eu faço hoje. O Rei Leão está comemorando 20 anos de lançamento e para comemorar eu resolvi escrever um pouco sobre esse clássico Disney.

    Se você me permite, antes de falar do filme, eu gostaria de dizer por que ele significa tanto para mim, afinal é - aparentemente - só um desenho infantil, mas há nele coisas, às vezes pequenos elementos, que despertaram meu interesse e guiaram muitas das minhas escolhas mais importantes, direta e indiretamente. Apesar de eu ter apenas três anos na época, eu tinha a fita VHS do desneho em casa e olhava repetidamente por que eu sentia que aquele filme me envolvia completamente de alguma forma. As cores, a música, os personagens. Eu não entendia bem o porquê, mas simplesmente notar isso abriu a minha percepção para o que é o cinema, pois passei a procurar aquilo que me atraia em outros lugares. Por exemplo, o fato do filme ser baseado em uma história de Shakespeare me despertou o interesse por livros que talvez eu não tivesse procurado tão cedo por conta própria, mas sem dúvida o aspecto mais marcante foi a trilha que eu rodei várias vezes no rádio: Por um lado escutar repetidamente os acordes de Elton John nas canções cantadas dos personagens me fez entender a sensibilidade da música pop, enquanto a atmosfera instrumental de Hans Zimmer me introduziu à músicas mais complexas. Aliás a estética das cores complementadas pela trilha é um destaque na animação.


   Em momentos cômicos e divertidos, o ambiente é colorido por tons vivos inspirados nas vestimentas africanas, embalados pelas canções de Elton John, com arranjos de guitarras alegres típicos da música popular africana, enquanto em momentos mais sombrios as cores escuras realçam a atmosfera instrumental de Hans Zimmer, conhecido pela sua grande sensibilidade em representar ideais soturnas e realistas, como em Batman: The Dark Knight (2008) e Man of Steel (2013). A trilha de Zimmer para O Rei Leão foi a primeira trilha pela qual eu me apaixonei e tenho a fita K7 até hoje, também não é por menos: A mescla de música erudita com elementos africanos resultou em algo impressionante, pois é um dos melhores trabalhos de Zimmer fora de seus experimentos com sintetizadores. Ele se inspirou em duas experiências anteriores com a música africana dos filmes A World Apart (1988) e The Power of One (1992), e chamou seu antigo parceiro Lebo M para compor os arranjos corais, resultando num disco tão aclamado quanto o próprio filme. Em comemoração aos vinte anos do filme, um disco duplo intitulado Legacy Collection: The Lion King foi lançado com faixas inéditas da trilha composta por Zimmer e devo dizer que é incrível.

Hans Zimmer (acima); Elton John e Tim Rice (abaixo)
    A qualidade da trilha também se deve a grande contribuição de dois músicos britânicos ilustres, Tim Rice e Elton John, que juntos compuseram as canções entoadas pelos personagens do desenho, muitas delas tornando-se sucessos nas rádios como "Can You Feel the Love Tonigh?" e "Hakuna Matata". A popularização da música "The Lion Sleeps Tonight" também se deve ao filme. Com um time desse a trilha ganhou o Oscar de Melhor Trilha Original, Melhor Canção por "Can You Feel the Love Tonigh?", além de ter outras duas canções indicadas para a mesma categoria. Não bastasse isso, também conquistou dois globos de ouro pelas mesmas indicações. Até hoje é a única trilha para um desenho animado a ter conquistado o Diamon Certification, prêmio concedido a discos que arrecadaram acima de 10 milhões de dólares, ao lado de nomes como Adele (21), Nirvana (Nevermind) e Madona (Like a Virgin) e logo atrás dos Beatles (Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band)!

   Falando de números, O Rei Leão teve um reinado nas bilheterias muito além de sua época: Somando um total de US$ 987,483,777, a animação não apenas teve a maior bilheteria de 1994 no mundo todo, mas manteve o recorde de maior arrecadação nos cinemas para um desenho até 2003, superado por Procurando Nemo. Depois foi ultrapassado por outras animações computadorizadas, mas em 2011 com sua exibição em 3D, O Rei Leão passou a ocupar a terceira colocação. Ainda assim, quem é rei nunca perde a majestade: O Rei Leão continua a ser a animação desenhada à mão mais bem sucedida nas bilheterias Disney até hoje e está em 19º lugar entre longa-metragens, acima de títulos como Harry Potter e a Pedra Filosofal, O Hobbit - A Desolação de Smaug e Star Wars III - A Vingança do Sith. No mínimo respeitável, isso sem contar a adaptação para os palcos: Baseado no filme, o musical de mesmo nome foi um sucesso instantâneo desde sua estreia na Broadway e continua em cartaz mesmo depois de 6.700 apresentações, sendo o quarto musical mais encenado na Broadway, mas não pense que a qualidade da produção é medida somente por números: por nomes também:

Musical na Broadway
  Poucos desenhos conseguiram reunir tantos nomes famosos em seus dubladores: James Earl Jones, responsável por dar voz ao personagem Darth Vader, emprestou seu porte vocal ao rei Mufasa. Para viver o arteiro protagonista Simba, ninguém mais apropriado que o eterno mata-aula de Vivendo a Vida Adoidado, Matthew Broderick. O calau azul Zazu era dublado por ninguém menos que Rowan Atkinson,  o Mr. Bean. Whoopie Goldberg interpretava uma das hienas, enquanto o vilão Scar era dublado por Jeremy Irons, o Brom de Eragon. Enfim, a lista de motivos para lembrar desse filme não termina por aqui, mas o post tem que acabar em algum lugar. Então espero que tenham gostado desse post, por que eu adorei escrevê-lo. Aquele abraço!

Felipe Essy

segunda-feira, 21 de julho de 2014

O Triste Vencedor



  Um dia de repente acordei feliz. Não, eu não estava feliz, eu era feliz. Fiquei assustado, será que era normal? As pessoas ficam felizes assim? Não tem um transtorno psicológico com um nome para isso? Aquilo começou a me preocupar.

   Um homem é guiado pelo desejo de felicidade, então para onde ele iria se já fosse feliz? O que ainda resta para fazer se você já está satisfeito com tudo que tem? Teoricamente nada. Então comecei a me perguntar como eu viveria sem a insatisfação. Viveria acomodado aceitando o que me dessem? Ora, claro que não, pois vocação para hippie eu nunca tive. Foi então que percebi a coisa mais importante que perdi com a felicidade: o medo.

    Felizes nós deixamos de temer o passado e de nos preocupar com o futuro, a única coisa da qual temos medo é o de não sermos mais felizes, mas nem isso eu tinha, pois a felicidade já estava me incomodando. Como alguém poderia viver sem o medo? O medo me dizia o que não fazer, era o meu pai, o reverendo que me mandava ter juízo. E agora, o que eu faço sem ele? Então fiquei desolado ao perceber que não era mais um homem, pois uma pessoa é moldada pelas coisas que é incapaz de fazer, e o que faria se pudesse fazer tudo? Provavelmente não saberia o que fazer – e eu realmente não sabia.

    Desolado percebi que tinha enlouquecido. Não acreditava que qualquer terapia ou narcótico pudesse dar conta de tal mal, essa falta do vazio. Então cai em profunda tristeza por não ter o que chorar, atingindo o ponto inevitável para um homem em que o túmulo se torna um berço desejável, onde o corpo deitará e a alma terá sua calma devolvida, só que nem a morte me parecia mais tão boa assim, pois era justamente dessa paz que eu queria me livrar!

   Foi aí que eu me dei conta que estava com o pior dos males, o medo de temer! A ameaça invisível, o invasor que se espera no silêncio escuro e não se sabe de que lado vai vir. Novamente eu tinha medo! Feliz de mim que não era mais feliz! Soltei um suspiro terrivelmente aliviado. Que bom era não ser mais despreocupado, eu tinha enfim algo para me ocupar o vazio do peito deixado pela felicidade que não me foi suficiente. E assim, deitei minha cabeça no travesseiro sorrindo os pesadelos que teria.



Essa crônica foi mais um texto extraído do livro Prosa na Varanda do ano passado. Quinta-feira, dia 24 será o lançamento, às 19:00 horas no Qorpo Santo. Espero vocês lá, um abraço!

Felipe Essy

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Mais Uma Prosa na Varanda

     Buenas, pessoal! Devido a boa repercussão ano passado, a segunda edição do livro Prosa na Varanda chega cheia de novidades semana que vem. Confere um pouco do que estar por vir:

Arte de capa e contra capa feita por Gustavo Vargas
    A ideia do livro surgiu após a criação do blog Prosa na Varanda, onde publicávamos textos de escritores locais. Na época o Grêmio Literário, grupo de escritores de Santo Antônio da Patrulha, ansiava por um novo projeto literário além da tradicional antologia poética Poesia na Praça. Conforme postávamos as crônicas, poesias e artigos no blog, percebemos que nosso grupo tinha perfeitas condições para produzir um novo livro, mas dessa vez de crônicas. A ideia nasceu e batizou-se com o mesmo nome do blog, reunindo textos de estilos variados dentro do gênero, desde crônicas humorísticas até narrativas mais próximas do conto.

    Essa diversidade estilística ampliou a segunda edição em crônicas e também contos, onde alguns escritores exploraram seu potencial ficcional presente nos textos do ano anterior.  O livro contará com a participação de nove escritores. Elaine Lauck, experiente escritora de artigos sobre literatura e educação, também está finalizando o processo de publicação de um livro sobre escritores patrulhenses;  Felipe Essy (esse que vos fala), paralelamente a seu blog pessoal, desenvolveu o apreço por histórias curiosas e aspectos sombrios presentes em alguns de seus textos do ano anterior; Joelson Oliveira, conhecido por suas crônicas envolvendo personalidades e causos antigos de Santo Antônio, já publicou dois livros independentes, além de várias participações em antologias poéticas; A narrativa que flerta com o leitor numa seriedade debochada quase machadiana de Luiz Nicanor é sua marca registrada. Com mais de 300 textos publicados no currículo, não é de se admirar com as duas premiações no Poesia no Ônibus e no Trem e outras três em Histórias de Trabalho; Maria De Lourdes, entusiasta militante da literatura, está sempre envolvida em projetos de incentivo à leitura, participando também de algumas antologias poéticas; Maurício Collar, pós-graduado em Língua portuguesa e Literatura, o atual presidente do Grêmio Literário, após várias participações no Poesia na Praça decidiu ousar em um romance independente e organizar a publicação conjunta de crônicas Prosa na Varanda, assim como sua nova edição; Regina Barcelos já trilhou muitas veredas literárias, isso incluí poesias, histórias infantis e até mesmo o hino da cidade (é verdade!). Sua última publicação aborda as lendas e fatos intrigantes a cerca do assassinato de Maria Luiza, a noiva da Lagoa dos Barros; Rosalva Rocha tem duas respeitáveis premiações em poesia pela ALA-POA e Sociedade Partenon Literário, graças a seus vários trabalhos em antologias poéticas, além de textos em outros gêneros, como suas crônicas no Prosa na Varanda do ano anterior, em que narrava de forma carismática as peripécias das "personalidades" da rua Pinheiro Machado. O ainda livro conta com a arte do ilustrador e quadrinista Gustavo Vargas, mais conhecido como Dr.Insekto, e revisão de Eduardo Jablonski, mestre em Literatura e autor de mais de 800 artigos relacionados.

Lançamento do primeiro Prosa na Varanda em 2013
    Comemorando o dia do escritor, o lançamento acontece dia 24 de Julho às 19:00 horas, no espaço Qorpo Santo em Santo Antônio da Patrulha. O valor do livro será de R$ 25,00 e esperamos todos amigos e entusiastas da literatura local lá. Um grande abraço!

Felipe Essy

domingo, 6 de julho de 2014

A Flor

  “Flores nascem até no cemitério”, dizia meu pai. Se eu conseguisse falar, essas palavras teriam sido perfeitas para o seu funeral, mas sinceramente eu não entendia aquele otimismo inesgotável. Parecia haver uma música no ritmo do relógio que despertava seu bom humor sem que ninguém mais conseguisse escutar.


   Quando me levava ao museu onde trabalhava, meu pai sempre dizia: “se a gente parar e olhar o passado, percebemos que o tempo é um escritor caprichoso, pois o que parece uma tragédia pode ser indispensável para um milagre.” Talvez, mas me pergunto se ele ainda pensaria o mesmo naquele momento.

    O baque da terra na tampa do caixão me acordou e olhei em volta. Minhas tias de longe, meus primos que eu não sabia o nome, um monte de gente que eu não via há anos. Por que a súbita saudade, eu questionava em silêncio. De repente percebi que meu olhar pousava sobre minha tia Clarice e desviei rapidamente. Meu pai e tia Clara, como a chamavam, eram brigados. Não sei bem como começou, mas terminou mal. Era sempre constrangedor quando nos encontrávamos. Não cheguei a conhecer os filhos dela, acho que tem dois... A cerimônia terminou e todos ficaram ali conversando, atualizando suas informações familiares e eu que me sentia sobrando mais do que nunca fui dar um passeio pela ala das gavetas.

    Perto do túmulo da minha avó estava uma moça. Sorri, cumprimentando-a. Ela retribuiu e voltou a olhar uma das gavetas. Percebendo que se tratava de parentes meus, perguntei:

    “- Seus parentes também?”

    “- Sim.” Disse ela. “- Pelo menos é o que me dizem.” Rimos sinceramente. Um assunto ligou o outro e quando vi estávamos conversando animadamente. Nem parecia mais um velório. Não sei por que não me senti culpado na hora, mas parecia que aquilo tinha acontecido. Tínhamos nos afastado um pouco das gavetas, quando de repente tia Clara apareceu e disse seca: “-Vamos, filha. Temos muita estrada ainda.” A moça me olhou e falou:

    “ - Ah, me esqueci disso. Põe essa flor no túmulo da vó para mim? Brigado seu... ?”

   “ – Rodrigo. Ponho sim. ” Forcei um sorriso. Notei o embaraço no olhar dela para tia Clara. Fez um aceno e foi embora. Eu fiquei ali olhando para a flor e pensei:

    “As flores nascem até no cemitério.”



   Essa é uma das minhas histórias do livro "Prosa na Varanda" lançado ano passado e estarei postando algumas delas aos domingos para comemorar a publicação da segunda edição. O "Prosa na Varanda 2" contará com crônicas e contos de vários autores, oito assinados por mim. O lançamento será no próximo dia 24, às 19:00 horas no Qorpo Santo. Espero todos vocês lá! Um abraço.

Felipe Essy