quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O Machado e o Pinheiro

Nas últimas semanas eu ouvi muito a exprerssão "massacre em Pinheirinho". Hoje resolvi pesquisar um pouco e mais uma vez me decepcionei com o governo brasileiro. Na cidade de São José dos Campos, em São Paulo, formou-se a comunidade do Pinheirinho, uma ocupação ilegal reflexo do déficit populacional habitacional. Nada inédito. Com cerca de 10 mil moradores, o bairro três vezes maior que o Estado do Vaticano já havia crescido muito nos útlimos anos contando até com associações e igrejas.

O terreno pertence a Naji Nahas, empresário milionário acusado de quebrar a bolsa do Rio de Janeiro em 1989 e preso por lavagem e desvio de dinheiro em 2008 e atualmente tem uma dívida de 15 mil reais com São José dos Campos. No dia 1 de janeiro, o deputado federal Protógenes Queiroz alegou que Nahas é suspeito de ter utilizado um interposto para se apropriar irregularmente do terreno de Pinheirinho na condição de credor.

Em 22 de Janeiro, a justiça estadual de São Paulo desrespeitou duas decisões federais e um acordo válido até fevereiro ordenando a desocupação de Pinheirinho, considerada inconstitucional pela Ordem dos Advogados do Braisl e quebra do pacto federativo por críticos da ação. Normalmente, esse tipo de decisão judicial é feita pacificamente por meio de mandatos, no entanto o que se viu foi uma verdadeira ação militar em que soldados armados agrediam civis gratuitamente e helicópteros faziam razantes aterrorizando a população. A própria presidente desaprovou a ação pronunciando-se sobre o assunto. Então eu me pergunto: Se os maiores poderes do país desaprovam essa medida e consideram-na ilegal, por que ela ainda continua?

Independentemente da razão, certa ou não, o fato é que famílias inteiras foram tiradas de suas casas com o que podiam carregar e tiveram suas casas demolidas com seus pertences dentro. O drama continua após a expulsão como consta nesses fragmentos de um artigo da Wikipédia:

"A Prefeitura de São José dos Campos distribuiu passagens rodoviárias para moradores da ocupação no Pinheirinho para que voltassem a seus estados de origem. No domingo, o Jornal Folha de São Paulo mostrou que as tendas armadas para o atendimento de moradores estavam cheias de lama e não tinha proteção lateral. [...] (O jornal também denunciou) as péssimas condições dos abrigos, [...] (onde haviam) três pessoas com pneumonia, uma com tuberculose e outra com sequelas de AVC estavam jogadas em abrigos precários sem atendimento médico algum. [...] (Também foram vistas) crianças brincando em meio a fezes de pombos, banheiros imundos e um animal morto estava abandonado no ambiente. [...] O motorista Assis David Monteiro teria declarado ao jornal "eles querem nos degradar como seres humanos."

Agora que o pinheiro já caiu, eu me pergunto quem realmente foi o carrasco.


F. Essy

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