terça-feira, 9 de julho de 2013

Da Cabeça ao Pé da Letra

      A euforia de uma estante de lançamentos, o cheiro entorpecente do livro recém-comprado e aquele clima gostos que só a nossa livraria favorita tem. Muita gente deve compartilhar essas sensações comigo e é sobre elas que eu vou falar um pouco hoje.



NUMA TOCA NO CHÃO...

     Quem consome cultura, não necessariamente de forma comercial, mas tem hábitos ligados a cinema, literatura ou música, acaba adotando alguns lugares como sua segunda casa. Às vezes é um bar underground ou só uma livraria pequena, mas todos são espaços que parecem nos acolher, como se  fossem um universo paralelo onde toda a pluralidade contraditória que nós naturalmente temos achasse seu lugar e, mesmo que sem o trocar de nenhuma palavra, também soubéssemos que aquelas outras pessoas que garimpam CDs ou caminham entre as estantes são como a gente de alguma forma. O meu lugar do qual eu vou falar é a Livraria Cultura.


        Quando  eu vou para Porto Alegre, a Cultura é o primeiro lugar que eu penso em visitar. Se eu tiver algumas horas livres, estar lá é tudo que eu preciso. Primeiro passo pela seção do Tolkien, mesmo sabendo tudo que tem lá. Depois vou para as trilhas e gasto uma hora lá tentando achar o disco que eu relutei em levar na semana passada. Se nada der certo, eu subo para a parte que reúne Shakespeare, cinema e quadrinhos. Não sei quem organizou aquilo, mas eu definitivamente devo muitos momentos de felicidade à essa pessoa. Depois de ter ficado lá todo aquele tempo e verificado se as coisas que eu "cobiço" na livraria ainda estão lá, é quase impossível sair sem levar algum coisa com sorriso de criança que acabou de ganhar um sorvete. Minha última aquisição foi a trilha de Tron - Legacy, que eu namorava há quase um ano, e já encomendei o quadrinho Laços para a próxima visita.


       Eu adotei a Livraria Cultura como o meu lugar. Eu via aquele espaço entre as estantes como o meu mundinho, meu lar cultural e não foi a toa que eu conheci a minha namorada lá. Ela morava na mesma rua do Bourbon, onde fica a Cultura, e eu estava visitando meus tios ali perto. Não demorou muito para a gente se encontrar lá e ficar horas tagarelando. O assunto tava tão bom que não terminou até hoje e eu já não consigo ir na Cultura sem saber que ela está lá do outro lado garimpando mais um livro para a gente discutir. Assim passamos a chamar a Cultura de nosso cantinho e eu posso dizer que sou a traça de livraria mais feliz do mundo.


CHEIRANDO À LIVRO NOVO!



       Se a primeira coisa que você faz quando tem um livro novo nas mãos é enfiar o nariz nele para sentir o cheiro das páginas novinhas, então eu tenho boas notícias: Não falta gente como a gente nesse mundo. Karl Lagerfeld, o estilista que reergueu a marca Chanel depois da morte de sua criadora, ouviu o comentário de um editor alemão dizendo que seu perfume favorito era o de um livro recém impresso e decidiu literalmente fazer disso um perfume chamado Paper Passion, que realmente impressiona pelo charme da embalagem e dificilmente eu resistiria a levá-lo se eu pudesse. O perfume vem entre as páginas de um pequeno livro com alguns textos escritos pelo próprio Lagerfeld e outros artistas, tudo por noventa dólares: Ainda é mais barato compra um livro.


         Se você já achou isso coisa de louco, saiba que a Jennifer Siems foi muito mais longe: Ela sempre foi encantada por grandes personalidades históricas, assim como também gostava de fazer seus próprios perfumes. Pensando nas fragrâncias que seus ídolos gostariam de usar, Siems criou a Sweet Tea Apothecary, onde ela mesma faz suas colonias e perfumes artesanalmente, batizando-as em homenagem aos que lhe inspiraram, com nomes que vão desde "Her Grace, the Duchess Georgiana" até o inusitado "Dead Writers", que ela diz lembrar a sensação de estar numa biblioteca folhando livros amarelados de Hemingway, Fitzgerald e Allan Poe. Eles custam em média vinte dólares e cheguei a conclusão de que realmente tem gosto e olfato para tudo!


CLÁSSICOS EM PDF



         Quando surgiu a fotografia, disseram que era o fim da pintura. Quando surgiu a TV, era o fim do Cinema. Quando surgiu a internet, era o fim de tudo, no entanto tudo está de pé e ainda assim tem muita gente que acha que o livro vai entrar em extinção por causa dos e-readers e outros leitores digitais que contém um monte de livros em poucas gramas. Isso seria possível, se a leitura fosse apenas interpretar textos. O prazer de ler não está apenas no ato em si, mas em tudo que o envolve: a ida à  livraria, a arte da capa, o tato cultural. Depois o folhar das páginas, num ritual romântico de imersão num mundo de realidades e fantasias. O e-reader pode ser muito útil para você ler aqueles livros fora de catálogo ou os que você não compraria, mas o seu tamanho reduzido e a falta de todas aquelas coisas que tornam uma leitura convencional tão gostosa não ameaçam em nada a existência dos livros. Por enquanto nenhuma tecnologia irá substituir esse prazer, pelo contrário, o livro continuará a originar filmes, perfumes e encontros entre as estantes, mas como qualquer coisa na vida, tudo depende do leitor.

Felipe Essy

4 comentários:

  1. A livraria cultura é para mim muito mais doo que uma loja de livros, é o portal pelo qual eu passo e me transporto para mundos distantes, arenas violentas, terras encantadas e lugares de moda. Ler é entrar em um mundo diferente a cada livro, fazer novos amigos, sentir saudade quando termina e ficar ansiosa na espera das sequências. Ler é poder viajar sem sair do lugar e não há melhor lugar para isso doo que o mundo encantado da livraria Cultura!!! Dá até para arrumar namorado, esse de verdade!!!

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    1. A Cultura realmente tem um clima muito bom, a gente se sente aconchegado lá. Minha melhor "aquisição" eu fiz lá e não me custou nada, quer dizer, só algumas horas assistindo o GNT né Marcinha rssss

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