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sábado, 3 de janeiro de 2015

A História Entre os Cinco Exércitos



    Agora que mutos já assistiram ao Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos, é a hora de explorar algumas lacunas e entender melhor por que algumas coisas mudaram no filme. O texto a seguir está repleto de revelações do enredo, então considere-se avisado.


O PODER DE GALADRIEL


     Enquanto os anões se debatem e exércitos avançam, Galadriel adentra Dol Guldur e confronta Sauron para resgatar Gandalf, mas a cena parece extrapolar um pouco os limites do personagem. Alguns elfos possuem naturalmente dons que nós chamaríamos de “mágica”, mas que não são nada surpreendentes entre eles. Essas habilidades especiais normalmente são apenas uma percepção sensível. No caso de Galadriel, ela é capaz de vislumbrar o futuro – ou probabilidades dele – e ler pensamentos de outras pessoas, mas nada que possa ser usado como uma arma para atacar, embora essas duas habilidades em si possam ser perturbadoras para alguns membros da sociedade do anel. O que poderia realmente conferir à Galadriel a capacidade de rechaçar o Senhor do Escuro é o Nenya, um dos três grandes anéis do poder.

      Assim como os outros anéis, o Nenya é capaz de apenas preservar e proteger o que é determinado por seu portador. Dessa forma Galadriel mantém Lothlórien oculta e imune da ação do tempo, mas nenhum deles pode ser utilizado como uma arma, pois foi Sauron quem ensinou os elfos a como forjá-los e jamais teria dado tal conhecimento contra seus próprios interesses, pois ele desejava controlar os portadores. No entanto percebemos que Galadriel não teme essa influência na cena de A Batalha dos Cinco Exércitos. Isso se dá pelo fato de que seu anel foi um dos três únicos a serem criados escondidos de Sauron e assim Galadriel é capaz de utilizá-lo para se proteger do próprio Senhor do Escurdo, como protege suas terras, mas não pode lhe causar nenhum dano, mas não se engane: Essa não foi a única vez que a rainha de Lórien entrou em uma batalha e ela era considerada fisicamente capaz de defender a si mesma entre os elfos homens.


SARUMAN E SAURON

   Na investida contra Dol Guldur, pode parecer estranho que ninguém suspeite do posicionamento pouco ofensivo de Saruman contra Sauron, afinal ele era o mago mais poderoso da sua ordem e com conhecimentos muito além de Galadriel, mas assim como os outros magos, ele foi enviado à Terra-Média com propósitos que o impediam de enfrentar Sauron diretamente.


    Saruman era um dos Maiar, espíritos logo abaixo dos Valar que governavam a terra. Após o desaparecimento de Sauron com a perda do Um Anel, os Valar enviaram cinco Maiar sob a forma humana para socorrer os povos desolados pela sombra de Mordor, no entanto estavam proibidos de governá-los, pois eles temiam que os magos pudessem corromper-se como Sauron e transformar a Terra-Média num enorme campo de batalha pelo poder. Por isso foram proibidos de enfrentá-lo diretamente, principalmente por que eles partilham a mesma essência

   Tanto os magos quanto Sauron eram Maiar e assim como os Valar não possuíam forma física – embora pudessem adotá-la sem nela habitar. Assim, Sauron era capaz de assumir vários formas: serpentes, lobisomens e até vampiros, mas sem estar mortalmente ligado a elas (Sauron teve várias formas destruídos ao longo de sua existência). Por outro lado, Saruman e os outros magos são Maiar enviados à Terra-Média sob formas humanas e susceptíveis a todas vulnerabilidades físicas e emocionais de um corpo mortal, logo também tiveram seus poderes limitados a essas condições, as quais Sauron não estava sujeito. Sendo assim, nem Saruman ou Gandalf poderiam derrotá-lo em um confronto direto.

   Embora Saruman já estivesse aliado a Sauron durante a expedição de Bilbo, teria sido interessante explorar sua associação com senhor do escuro ao longo dos três filmes, afinal sua corrupção está intimamente ligada aos anéis do poder e o crescente poder de Sauron, mas apesar de parecer uma aliança, Saruman jamais pretendeu unir-se a Sauron, e sim usá-lo para encontrar o Um Anel e usá-lo. De fato Saruman chega a criar seu próprio anel, que amplia o poder de manipulação de sua voz, no entanto assim que os servos de Sauron trazem uma das palantiri para Mordor, Sauron a usa para influenciar e manipular Saruman que, reduzido a forma humana, foi facilmente corrompido.


LEGOLAS E A IDA A GUNDABAD


   Enquanto Saruman é pouco aproveitado como elo entre as trilogias, Legolas é explorado a exaustão, mesmo depois de protagonizar o segundo filme mais que o necessário, no entanto a sua relação com o rei Thranduil acabou mostrando-se interessante na história. O que deixou os espectadores meio perdidos foi a expedição relâmpago que Legolas e Tauriel fazem à desolada região de Gundabad, aparentemente sem importância para o enredo, já que não entendemos bem por que as tropas de Azog se encontram lá. Na verdade, Gundabad era um antigo ponto estratégico de Sauron criado especialmente para se vingar de uma antiga desavença entre ele os anões de Moria.


   Quando Sauron planejou usar os elfos para forjar os anéis do poder, ele disfarçou-se como emissário dos Valar, oferecendo seus conhecimentos a Gil-Galad, senhor de Lindon, no entanto ele não acreditou em tais ofertas. Sauron então recorreu aos elfos artíficies de Eregion, nas Montanhas Sombrias próximo à Moria. Deslumbrados com as obras que poderiam criar com os conhecimentos de Sauron, eles o acolheram sem hesitar, ajudando a forjar os anéis do poder, mas Sauron acabou se revelando com a criação do Um Anel e os elfos de Eregion descobriram seus planos. Sauron então ataca Eregion e o rei Gil-Galad envia Elrond para conduzir os exércitos de Lindon em seu auxílio, mas Eregion é devastada e Elrond foge. Sauron o teria alcançado se não fosse pelos anões de Moria, que haviam se aproximado dos elfos daquela região. Eles recuaram para Moria, deixando Sauron impotente do lado de fora dos portões. Irado, mas incapaz de invadir Moria, ele mandou orcs ocuparem o monte no extremo norte das Montanhas Sombrias, Gundabad, a espera da oportunidade.


   Após muitas tentativas fracassadas de dominar o norte, Sauron concentra suas forças em Mordor, mas muitos orcs continuam em Gundabad, dentre eles o filho de Azog que anseia por vingança contra os anões do norte, pois no livro Azog foi morto anos antes por Dáin pé-de-ferro, o primo de Thorin que o socorre na Batalha dos Cinco Exércitos. Originalmente Dáin mata Azog contra a provocação que Azog fez ao avô de Thorin: O antigo rei Thrór estava desesperado após a destruição de Erebor, então ele decidiu partir para Moria onde acreditava que poderia encontrar a salvação para sua família, no entanto os orcs o decapitaram e entregaram a cabeça de Thrór aos anões com "AZOG" inscrito em sua testa, junto com algumas moedas enquanto o chamavam de mendigo. Os anões planejam sua resposta durante sete anos e vários clãs se unem em um grande ataque que varreu as Montanhas Sombrias em busca de Azog. Quando as tropas lideradas por Thráin, filho de Thrór, chega a Moria, ele descobre que Azog também os esperava com um exército. Os anões começavam a ficar em desvantagem quando chegam os reforços das Colinas de Ferro e retribuem a gentileza de Azog, cravando sua cabeça numa estaca com um saco de moedas em sua boca. 


A PEDRA ARKEN E O COLAR DE THRANDUIL


    Quando a famigerada batalha começa a se formar, a Pedra Arken volta a protagonizar a história. Apesar da aparência quase espacial, não há nada de sobrenatural nela, a não ser a crença dos ancestrais de Thorin de que a presença da pedra nos salões estava ligada à glória do reino de Erebor. Peter Jackson preferiu explorar um aspecto mais místico da pedra Arken, já que ela estava fortemente vinculada à ambição de Thorin, mas uma parte tão importante da trama acabou simplesmente esquecida no final do filme. Não vemos mais depois de Bard guardá-la sob seu manto nos portões de Erebor. Os leitores também sentiram falta de um dos momentos mais emocionantes do livro, quando a pedra é depositada sobre o peito de Thorin em seu enterro. No livro é dito que seu primo Dáin se torna o rei de Erebor, trazendo muitos de seu povo aos salões sob a montanha. Uma decima quarta parte da fortuna de Erebor é dada ao povo de Bard em cumprimento ao acordo que Thorin originalmente fez (no livro) com Bard em troca da pedra Arken, mas Bard o envia ao rei da Cidade do Lago, que morre fugindo com esse tesouro – e não o dos cidadãos da Cidade do Lago, como no filme.


    Uma outra joia esquecida no filme é o colar de gemas brancas que Thranduil se refere antes de partir para Erebor. Embora esse interesse apareça pouco nas versões exibidas no cinema, o colar tem destaque em uma cena estendida de Uma Jornada Inesperada. Nela, Bilbo conta a história de Erebor, em que Thranduil visita o rei Thrór na montanha para lhe prestar homenagem quando ele lhe oferta um baú em que Thranduil vê um brilhante colar de jóias. No momento em que o rei elfo se aproxima para tocá-lo, o baú é abruptamente fechado e Thranduil retira-se ofendido. Enquanto isso, Bilbo diz: “Não se sabe como começou. Os elfos dizem que os anões o roubaram. Os anões têm outra versão, de que os elfos não pagaram o preço justo.” Essa é uma referência clara a uma joia central na origem entre a discórdia dos elfos e anões, o Nauglamir. Isso alardeou vários fãs, pois inserir esse colar no enredo de O Hobbit interfere diretamente no livro mais importante da mitologia tolkieniena, O Silmarillion. Aparentemente Peter Jackson pensou duas vezes e mudou de ideia em A Batalha dos Cinco Exércitos, transformado o Nauglamir em um simples colar feito para a mulher de Thranduil, cujo interesse é exclusivamente emocional. Ainda assim, o colar desaparece na narrativa do último filme, assim como a pedra Arken. Talvez ambos apareçam na versão estendida, mas ainda sim me parece um deslise de roteiro.

    Esse colar que teria sido da mulher de Thranduil na verdade não existe nos livros, mas outra jóia sim: Após receber uma décima quarta parte do tesouro, Bard encontra o Colar de Girion, uma bela jóia composta de quinhentas esmeraldas. Ele o da para Thranduil como retribuição pela ajuda prestada após a destruição da Cidade do Lago. Vale lembra que Giron foi o ancestral de Bard que governara Dale antes da chegada de Smaug. Bilbo também foi recompensado com dois baús de ouro - devidamente aumentados pelas lendas do Condado.


Espero que vocês tenham gostado do post, ele acabou demorando mais do que o esperado, mas acho que valeu a pena, mas o filme não é o único assunto desta postagem: Hoje seria o 122º aniversário de Tolkien se ele estivesse vivo - de dar inveja até a Bilbo, e deixo aqui um trecho de Frankenstein que me lembrou dele:

"Teria essa mente, tão permeada de ideias, maravilhosas e magníficas fantasias, que formaram um mundo, cuja existência dependia da vida de seu criador - teria essa mente perecido? Isso agora só existe na minha memória? Não, não é assim; Sua forma moldada tão divinamente, e iluminada pela beleza, tem decaído, mas seu espírito ainda visita e consola este singelo amigo."

- Mary Shelley

Parabéns, professor!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

O Fracasso dos Cinco Exércitos


    Após o desfecho épico de O Retorno do Rei, houve rumores de uma adaptação de O Hobbit, mas era algo tão distante que ninguém acreditou que pudesse mesmo acontecer. Quase dez anos depois, eu vibrei assistindo ao primeiro trailer, mas o filme acabou não sendo bem o que eu esperava. Mesmo após uma sequência que me agradou menos, eu ainda acreditava que o último filme salvasse a trilogia, mas tudo acabou destruído em uma interminável Batalha dos Cinco Exércitos.

   Quem conhece os filmes que eu assisto, sabe que eu sou um espectador bem paciente, mas o último Hobbit conseguiu extrapolar todos os meus limites. Foi sem dúvida o pior filme que eu já vi na minha vida. Não como uma adaptação, nem como um sucessor de O Senhor dos Anéis, mas como um filme em si. Sequências de ação intermináveis, justapostas por diálogos fracos que não adicionavam nada a história, a não ser novas batalhas que pareciam mais uma exibição de malabaristas. Sinceramente, eu não teria reconhecido a direção de Peter Jackson se o crédito não estivesse estampado na tela, e o que era para ser uma prequela de um dos filmes mais marcantes do cinema se transformou em algo completamente irreconhecível.


    A trilogia original desafiou os parâmetros tradicionais de Hollywood, narrando uma história complexa em um mundo fantástico sob uma perspectiva séria, quase cinzenta, enquanto O Hobbit retrata um mundo colorido, onde magos ofuscam a tela com conjurações fluorescentes e elfos derrotam exércitos com piruetas. O Senhor dos Anéis e O Hobbit são livros com propostas diferentes, mas como uma sequência da produção anterior, era necessário que essa nova trilogia se conectasse com a adaptação original, não apenas através de referências e cenários familiares, mas com a mesma profundidade de roteiro e conceito estético. Apesar da impressionante qualidade técnica, o excesso de efeitos computadorizados resultou em algo artificial demais para não infantilizar o filme, exatamente como o próprio Peter Jackson afirmou evitar em A Sociedade do Anel. 

   No fim das contas, acho que Peter Jackson quis se superar outra vez, ousando com novas tecnologias – que sempre foram uma paixão sua, mas provavelmente exigiu tanta atenção que o mérito do roteiro conquistado na trilogia original acabou esquecido. Três filmes para adaptar um livro foi exagero, mas quem conhece o universo de Tolkien sabe que havia muita coisa para preencher todo esse espaço. O que aconteceu com os anéis do poder dos elfos, a natureza dos magos, Angmar e o declínio de Gondor. Inúmeras possibilidades de não apenas entrelaçar a franquia, mas explicar vários elementos importantes para um melhor entendimento da Guerra do Anel. A trilogia de O Hobbit acabou apenas esticando o livro em três partes sem adicionar alguma coisa que justificasse tudo isso.


   Coisa de fã saudoso? Talvez. Há quem tenha gostado do filme, mas de qualquer forma é pouco provável – para não dizer impossível – que uma nova adaptação dos livros de Tolkien seja feita. Não é por falta de vontade dos estúdios, mas o herdeiro responsável pelo legado de Tolkien, seu filho Christopher, detesta os filmes. Todos. Se o próprio Tolkien não tivesse vendido os direitos em vida, é provável que jamais víssemos qualquer um deles no cinema. E nesse caso nem o dinheiro de Hollywood poderia resolver o problema, pois Christopher Tolkien já deixou de falar com o próprio filho só por que ele elogiou a adaptação de O Senhor dos Anéis. Pessoalmente eu não me interesso em ver outra adaptação de Tolkien nos cinemas. Eu amei O Senhor dos Anéis, O Hobbit teve sua oportunidade e assim a narrativa da Guerra do Anel foi finalmente concluída. A verdadeira Terra-Média só existe nos livros e eles existem justamente para mergulharmos nesse universo. Enquanto isso, Hollywood terá que procurar outro anel do poder para se esconder, por que algo me diz que ele se perdeu de vez.


   No próximo post, iremos explorar melhor alguns detalhes da história de "A Batalha dos Cinco Exércitos" e explicar algumas curiosidades. Até a próxima!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Tour pela Terra-Média


    Buenas, pessoal! Dois anos após a Terra-Média voltar aos cinemas, a jornada de O Hobbit finalmente chega ao fim. Como de costume, o blog traz algumas publicações especiais sobre essa obra, e como já faz um ano desde A Desolação de Smaug, nada melhor que dar uma refrescada na memória. Confira uma seleção das publicações já feitas no blog sobre O Hobbit e O Senhor dos Anéis para entender melhor esse universo:


CURIOSIDADES



    A intriga entre as duas raças vai muito além de Erebor e a Floresta das Trevas, com origens tão intrincadas que é difícil determinar quem começou, no entanto as inscrições em élfico nos portões de Moria indicam que nem sempre foi - assim antes que algo acontecesse. Clique na imagem acima e descubra essa história.



    Aqui temos respostas para algumas coisas nos filmes e até mesmo nos livros que nem sempre são explicadas. Afinal, porque Sauron escava tanto? Por que só os Elfos podem ir para as Terras Imortais? Que lugar é esse, aliás? E por aí vai.



   Na segunda parte do post, descobrimos qual é a ligação entre a comitiva dos anões e a Sociedade do Anel, a origem das aranhas Gigantes e por que a Floresta das Trevas tem esse nome.



EXPLORANDO O HOBBIT


    Nesse post sobre o primeiro filme, nos aprofundamos um pouco mais no universo introduzido por Peter Jackson, falando mais do Conselho Branco, dos Magos e do sumiço de Radagast em O Senhor dos Anéis.


     A preocupação de Gandalf com a fortaleza de Dol Guldur ganha mais detalhes aqui, revelando as suas consequências na Guerra do Anel.


     No post dedicado ao segundo filme, falamos mais de Beorn, o troca-peles; As Aranhas Gigantes na Floresta das Trevas; Os Elfos Selvagens; Smaug e outros Dragões.


TRILHANDO A TRILOGIA DO ANEL

   Nesta série de posts, a primeira trilogia dirigida por Peter Jackson é explorada nos mínimos detalhes, preenchendo lacunas, explicando referências e revelando alguns deslizes. Neles você entenderá melhor alguns elementos e citações dos filmes, além de respostas para dúvidas que assolam até mesmo os mais familiarizados com os livros. De quebra ainda há um glossário no fim de cada post para você não se perder.



     Entenda um pouco melhor a origem do Um Anel e dos outros anéis do poder. Por que Aragorn é um guardião e algumas relações com o Hobbit no Conselho de Elrond.



    Continue a trilha pela Sociedade do Anel explorando a origem de Moria, por que só há um Balrog e como ele parou lá, além de entender um pouco mais sobre o espelho de Galadriel.



    Comece entendendo o título - que nem o próprio Tolkien tinha certeza quando escolheu - e conheça mais das outras torres citadas no filme. Conheça a história completa entre a queda de Gandalf na ponte de Khazad-dûm e seu retorno como "o Branco", além da origem de Rohan e da criação dos Orcs e Uruk-Hai.



    Aqui temos informações importantes para entender o desfecho em O Retorno do Rei: Quem são os Homens que apoiam Sauron, por que os Elfos socorrem Rohan e não Gondor, além do resultado do placar entre Legolas e Gimli na batalha de Helm.



    Se você não leu os livros ou não assistiu as versões estendidas, é uma boa oportunidade de saber o fim de Saruman ou entender o papel das Palantíri em O Senhor dos Anéis, o que era Minas Morgul antes de ser tomada pelas forças de Sauron ou de onde veio Laracna.



     Em um filme chamado "O Retorno do Rei", não é bem explicado por que Aragorn estava exilado. Eis uma chance de descobrir e entender a influência de Isildur nessa história. O retorno de Aragorn encerra o chamado "Declínio de Gondor", que também é contado aqui, como a origem do reino e seu símbolo, a Árvore Branca.

Semana que vem tem material novo sobre Tolkien e O Hobbit, um abraço!

Felipe Essy

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

A Vingança dos Filmes B


    O Cinema que domina as salas de exibições normalmente é algo tão super-produzido que pode ser difícil assistir pequenas produções, mas o cinema independente vem popularizando-se como uma alternativa ao publico cansado dos enlatados americanos. Surgiu então o festival A Vingança dos Filmes B, que promove a produção cinematográfica no estado e reprisa alguns clássicos do gênero.

   A quarta edição do festival retorna movimentando o cinema independente no estado e exibindo filmes que não encontram espaço nas salas de cinema comerciais, seguido de debates com diretores e outros profissionais do meio após as sessões. Apesar de apresentar um campo desconhecido pela maioria das pessoas, o festival apresenta títulos interessantes mesmo para quem não tem intimidade com produções alternativas. O festival acontece na capital entre os dias 09 e 14 de Dezembro, na Sala P.F. Gastal. A seguir, alguns destaques do festival, seguidos da programação completa:

KASSANDRA


     Após um acontecimento traumático, Kassandra perde a fala, passando a viver sozinha em um enorme apartamento, no entanto uma entidade estranha passa a assombrá-la, ao mesmo tempo que cartas de tarô aparecem misteriosamente em seu apartamento. O diretor Ulisses Costa representou a tensão da percepção silenciosa da jovem Kassandra em preto e branco, explorando o contraste das sombras incrementado pela bela trilha e efeitos de som desenvolvidos especialmente para o curta, incluindo improvisações em um piano desmantelado. A produção recebeu diversos prêmios como Melhor Filme e Direção, no Primeiro Festival de Cinema Online (DF); Melhor Direção de Arte e Trilha Sonora, pelo Cineserra (RS); E Melhor Fotografia, no 41º Festival de Cinema de Gramado, dentre outras premiações. Para aqueles interessados no curta, o super blog alimentado pela produção é uma fonte de diversão ilimitada.

11 de Dezembro - 20:00
Duração: 25 min
Direção:Ulisses da Motta Costa
Rio Grande do Sul, 2013

O ESTRIPADOR DA RUA AUGUSTA




     Para quem curte fluídos na tela e uma boa dose de humor negro, a direção assinada por Felipe Guerra e Geisla Fernandes é um prato cheio - e com tempero nacional. Ambientado na rua mais agitada de São Paulo, o curta traz uma sedutora mulher que se passa por prostituta para atrair vítimas para seu covil, onde secretamente alimenta-se do sangue delas há gerações. O que ela não previa era encontra outra figura macabra da rua Augusta: o Estripador. A produção conta com a autenticidade da ex-atriz pornô Mônica Mattos, premiada internacionalmente, que junto com o Estripador abusará do talentoso técnico em efeitos especiais Kapel Furman, que já trabalhou ao lado de nomes como Zé do Caixão. Após a exibição do curta, o diretor Felipe Guerra participará de um debate junto de outros profissionais do meio.

11 de Dezembro - 20:25*
Duração: 20 min
Direção: Felipe Guerra e Geisla Fernandes
Rio Grande do Sul/São Paulo,  2014

CONDENADOS À VIVER


    No início dos anos 90, o espanhol Joaquín Marchent realizou um dos últimos grandes western, considerado o mais violento do gênero, em que um grupo de prisioneiros são abandonados à esmo nas montanhas, acorrentados uns aos outros pelos calcanhares. Descobrindo que as correntes que os uniam era de ouro puro, inicia-se  a luta sangrenta pela posse do metal precioso, levando a ambição humana a níveis perturbadores. Os fãs do gênero e curiosos podem conferir a exibição na telona no festival.

11 de Dezembro - 16 horas
Duração: 90 min
Direção: Joaquín Marchent
Espanha, 1972

O SEGREDO DA FAMÍLIA URSO


   No curta dirigido por Cíntia Bittar, uma família está prestes encarar seus segredos quando a pequena Geórgia resolve descer ao porão de sua casa, onde ela descobre as perturbadoras experiências do regime militar sob o seu assoalho. O curta foi premiado como Melhor Curta - Juri popular pelo 10º Fantaspoa. Seleção Oficial, pelo Mórbido Film Fest (México) e Melhor Ator, pela 21ª FLVR (Argentina).

12 de Dezembro - 20:30*
Duração: 20 min
Direção: Cíntia Bittar
Santa Catarina, 2014

O CAÇADOR


    O curta dirigido pelos canoenses Taísa Marques e Rafael Duarte retratam os conflitos de um jovem caçador sozinho pela primeira vez na defesa de seu território após a morte do pai. O protagonista é interpretado por Samuel Reginatto, que buscou na sua infância interiorana em Três Coroas a essência da relação entre seu personagem e a terra, onde inclusive parte do filme foi rodado. O filme foi indicado a Melhor Curta Gaúcho no Festival de Cinema de Gramado em 2014.

12 de Dezembro - 20:45*
Duração: 20 min
Direção: Taísa Marques e Rafael Duarte
Rio Grande do Sul, 2014


Felipe Essy

* Os horários destacados são uma estimativa, com base na sequência e duração informadas na página da Sala de Cinema P.F. Gastal.

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PROGRAMAÇÃO COMPLETA

09 de Dezembro (terça-feira)

19h - Confraternização no saguão da Sala P.F.Gastal
20h – ABERTURA - SESSÃO SHORT CUTS: A Vingança da Filha de Bruce Lee (05’) (trailer raro) + Pray (15’) + Revelações de um Cineasta Canibal (15’) + Carne (20’) + Nua Por Dentro do Couro (20’). Total: 75 minutos. Após a sessão debate com o cineasta Cláudio Ellovitch.


10 de Dezembro (quarta-feira)

18h- SESSÃO SHOOT OR DIE I: Trash Vol.01 e Vol.02. Total: 50 minutos
20h- SESSÃO COMEMORATIVA 30 ANOS DE “GREMLINS” (1984 / 106’), DE JOE DANTE (Após a sessão debate com o cineasta Giordano Gio e o crítico Cristian Verardi).


11 de Dezembro (quinta-feira)

16h- SESSÃO MALDITA MATINÉE- Condenados a Viver (Condenados a Vivir), de Joaquín Luis Romero Marchent (Espanha / 1972 / 90’)
18h- SESSÃO SHOOT OR DIE II: Trash Vol.03 (25’) + Red Hookers (20’). Total: 45 minutos.
19h- Lançamento do livro Cemitério Perdido dos Filmes B: Redux, de César Almeida, e revista Hatari Nº1 (especial western).
20h- SESSÃO SHORT CUTS II: Kassandra (25’) + O Estripador da Rua Augusta (20’) + Vancouver Caliber 9 (12’) + Sexta-Feira da Paixão (12’). Total: 69 minutos. Após a sessão debate sobre cinema de gênero com Christian Caselli, César Almeida, Ulisses da Motta Costa e Felipe Guerra.


12 de Dezembro (Sexta-feira)

18h- SESSÃO SHOOT OR DIE III: Trash Vol.04 e Vol.05. Total: 50 minutos.
20h- SESSÃO SHORT CUTS III: Canibal Tropical (5’) + Eu & a Loira (12’) + Cidade Média (15’) + O Segredo da Família Urso (15’) + Caçador (20’) + Castillo Y El Armado (14’). Total: 81 minutos


13 de Dezembro (sábado)

15h- SESSÃO SHOOT OR DIE IV: O Anão (8’) + Mal Passado (20’) + Síndrome de Lobisomem (60’). Total: 88 minutos.
17h30 – SESSÃO OBSCURUM: ESPECIAL DENNISON RAMALHO- Nocturnu (11’) + Amor Só de Mãe (21’) + Ninjas (23’). Total: 55 minutos. Após a sessão debate com o cineasta Dennison Ramalho.
20h- SESSÃO AURORA -FILME SURPRESA. Após a sessão debate com os organizadores do projeto Zinematógrafo.


14 de Dezembro (domingo)

15h- SESSÃO SERRA DO MEDO: Parasitas do Lodo (26’) + A Maldição do Sanguanel (71’). Total: 97 minutos.
17h- SESSÃO FRONTEIRA DE SANGUE- Achuras 2 (60’ / Uruguai / 2013).
Após a sessão debate com o cineasta uruguaio Manuel Facal.
19h30- SESSÃO SHORT CUTS IV:
Ruído Branco (7’) + Berenice (10’) + O Carniçal (12’) + O Terno do Zé (20’) + Ia Dizer que Voltei (30’). Total: 79 minutos. Após a sessão debate com os cineastas Leandro Engelke, Vinícius Lopes e Mateus Frazão

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Da Capital à Hogwarts

    Buenas, pessoal! Pouco mais de uma semana após o Encontro de Sagas, consegui retomar o fôlego para falar um pouco de como tudo aconteceu e compartilhar essa grande experiência. Confere aí!


    A ideia surgiu ano passado entre alguns amigos que estudavam juntos, mas conforme o projeto foi exigindo mais dedicação, um a um foram deixando a iniciativa até que apenas um deles ainda cogitasse realizar o Encontro de Sagas. Foi nesse momento que eu entrei em contato com a Andrea, que ponderava se ainda iria realizar o projeto.  Conforme conversamos, as ideias ganharam fôlego e decidimos arregaçar as magas para tentar fazer o melhor possível com o pouco tempo e recursos que tínhamos. Com a colaboração de alguns amigos que também aceitaram entrar na empreitada, Márcia Peixoto e Neidson Souza, demos início aos preparativos do Encontro de Sagas.

   Não tínhamos a menor ideia do que iria acontecer. Muita gente estava empolgada com a ideia, mas sempre fica aquele receio: será que alguém vai aparecer? Para ajudar, não conseguimos folders próprios para divulgação e o jeito foi ir nas escolas de ensino médio sala por sala falar um pouco do evento. No fim apareceram várias pessoas, não uma multidão, mas um número que nos deixou satisfeito principalmente pelo envolvimento de quem participou. O mais legal foi ver que as mesmas pessoas voltavam e muitas vezes participaram de todas as atividades durante o dia. Assim além de realizar um sonho, fizemos novos amigos

Andrea Souza durante os preparativos do Encontro de Sagas
     As competições de sagas se mostraram super divertidas, como todos correndo de uma lado para o outro, quando não se atracavam para vem quem levava uma bandeira. Os desavisados que observavam aqueles adolescentes correndo desesperados de uma lado a outro do parque Tedesco ficavam intrigados, o que tornou tudo ainda mais engraçado. Obviamente teve gente de fora que não entendeu a brincadeira, mas basta dizer que houve escolas nos procurando para realizar as competições nas suas dependências e não é todo dia que esses convites acontecem.

   Quando eu planejei a oficina de cerveja amanteigada, eu não imaginei que excesso de participantes seria um problema, mas conforme o pessoal foi sabendo da ideia, comecei a cogitar fazer grandes quantidades. Várias pessoas de idades diferentes apareceram e riram bastante das minhas discussões sobre meias com a Andrea, o que disfarçou um pouco meu nervosismo. O importante foi que deu tudo certo, nos divertimos e todos puderam provar um bom copo de cerveja amanteigada direto do Três Vassouras.

Neidson Souza e Márcia Peixoto no bate-papo sobre Harry Potter.
   Os bate-papos foram sem dúvida o melhor momento do Encontro de Sagas, pois foi onde pudemos conhecer outras pessoas da nossa cidade que gostam desse assunto e trocar ideias. Discussões sobre fatos intrigantes das tramas e da simbologia nos livros renderam muito mais do que o esperado e mesmo após o anuncio do término do bate-papo, muitos continuaram ali a conversar com a gente. Foi realmente incrível e reunindo um pequeno grupo que ali estava, formamos uma equipe para discutir e organizar o evento do ano que vem. Muitas ideias pipocando e entusiasmo de todos os lados, o que de longe foi o melhor resultado dessa singela realização.

   Agradecemos imensamente o envolvimento de todos que estiveram ao nosso lado nesse Encontro de Sagas: Primeiramente à Andrea Souza, que nunca abandonou a ideia e se dedicou completamente ao projeto; Ao Maurício da La Mancha que apesar da correria, foi o mais prestativo possível; À Miriam que nos auxiliou no Qorpo Santo; Ao nosso amigo Neidson que aceitou se aventurar num bate-papo de Harry-Potter; À minha mulher Marcinha que além de fazer uma incrível fala sobre Jogos Vorazes, também me auxiliou na correria da organização; E claro a todos participantes do Encontro de Sagas. Foram dias maravilhosos, obrigado pessoal.

Felipe Essy

terça-feira, 22 de julho de 2014

20 Anos de Reinado Felino

    Buenas, pessoal! Todos nós temos filmes que nos marcaram em algum momento das nossas vidas. Nem sempre são clássicos do cinema, mas algo neles nos cativa e transforma nosso modo de ver as coisas. Alguns anos atrás O Senhor dos Anéis e Harry Potter foram exemplos de filmes marcantes para toda uma geração. O primeiro foi muito importante para mim,  mas muito antes dele houve um desenho que me aproximou de coisas essenciais para que eu pudesse ver e escutar o mundo como eu faço hoje. O Rei Leão está comemorando 20 anos de lançamento e para comemorar eu resolvi escrever um pouco sobre esse clássico Disney.

    Se você me permite, antes de falar do filme, eu gostaria de dizer por que ele significa tanto para mim, afinal é - aparentemente - só um desenho infantil, mas há nele coisas, às vezes pequenos elementos, que despertaram meu interesse e guiaram muitas das minhas escolhas mais importantes, direta e indiretamente. Apesar de eu ter apenas três anos na época, eu tinha a fita VHS do desneho em casa e olhava repetidamente por que eu sentia que aquele filme me envolvia completamente de alguma forma. As cores, a música, os personagens. Eu não entendia bem o porquê, mas simplesmente notar isso abriu a minha percepção para o que é o cinema, pois passei a procurar aquilo que me atraia em outros lugares. Por exemplo, o fato do filme ser baseado em uma história de Shakespeare me despertou o interesse por livros que talvez eu não tivesse procurado tão cedo por conta própria, mas sem dúvida o aspecto mais marcante foi a trilha que eu rodei várias vezes no rádio: Por um lado escutar repetidamente os acordes de Elton John nas canções cantadas dos personagens me fez entender a sensibilidade da música pop, enquanto a atmosfera instrumental de Hans Zimmer me introduziu à músicas mais complexas. Aliás a estética das cores complementadas pela trilha é um destaque na animação.


   Em momentos cômicos e divertidos, o ambiente é colorido por tons vivos inspirados nas vestimentas africanas, embalados pelas canções de Elton John, com arranjos de guitarras alegres típicos da música popular africana, enquanto em momentos mais sombrios as cores escuras realçam a atmosfera instrumental de Hans Zimmer, conhecido pela sua grande sensibilidade em representar ideais soturnas e realistas, como em Batman: The Dark Knight (2008) e Man of Steel (2013). A trilha de Zimmer para O Rei Leão foi a primeira trilha pela qual eu me apaixonei e tenho a fita K7 até hoje, também não é por menos: A mescla de música erudita com elementos africanos resultou em algo impressionante, pois é um dos melhores trabalhos de Zimmer fora de seus experimentos com sintetizadores. Ele se inspirou em duas experiências anteriores com a música africana dos filmes A World Apart (1988) e The Power of One (1992), e chamou seu antigo parceiro Lebo M para compor os arranjos corais, resultando num disco tão aclamado quanto o próprio filme. Em comemoração aos vinte anos do filme, um disco duplo intitulado Legacy Collection: The Lion King foi lançado com faixas inéditas da trilha composta por Zimmer e devo dizer que é incrível.

Hans Zimmer (acima); Elton John e Tim Rice (abaixo)
    A qualidade da trilha também se deve a grande contribuição de dois músicos britânicos ilustres, Tim Rice e Elton John, que juntos compuseram as canções entoadas pelos personagens do desenho, muitas delas tornando-se sucessos nas rádios como "Can You Feel the Love Tonigh?" e "Hakuna Matata". A popularização da música "The Lion Sleeps Tonight" também se deve ao filme. Com um time desse a trilha ganhou o Oscar de Melhor Trilha Original, Melhor Canção por "Can You Feel the Love Tonigh?", além de ter outras duas canções indicadas para a mesma categoria. Não bastasse isso, também conquistou dois globos de ouro pelas mesmas indicações. Até hoje é a única trilha para um desenho animado a ter conquistado o Diamon Certification, prêmio concedido a discos que arrecadaram acima de 10 milhões de dólares, ao lado de nomes como Adele (21), Nirvana (Nevermind) e Madona (Like a Virgin) e logo atrás dos Beatles (Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band)!

   Falando de números, O Rei Leão teve um reinado nas bilheterias muito além de sua época: Somando um total de US$ 987,483,777, a animação não apenas teve a maior bilheteria de 1994 no mundo todo, mas manteve o recorde de maior arrecadação nos cinemas para um desenho até 2003, superado por Procurando Nemo. Depois foi ultrapassado por outras animações computadorizadas, mas em 2011 com sua exibição em 3D, O Rei Leão passou a ocupar a terceira colocação. Ainda assim, quem é rei nunca perde a majestade: O Rei Leão continua a ser a animação desenhada à mão mais bem sucedida nas bilheterias Disney até hoje e está em 19º lugar entre longa-metragens, acima de títulos como Harry Potter e a Pedra Filosofal, O Hobbit - A Desolação de Smaug e Star Wars III - A Vingança do Sith. No mínimo respeitável, isso sem contar a adaptação para os palcos: Baseado no filme, o musical de mesmo nome foi um sucesso instantâneo desde sua estreia na Broadway e continua em cartaz mesmo depois de 6.700 apresentações, sendo o quarto musical mais encenado na Broadway, mas não pense que a qualidade da produção é medida somente por números: por nomes também:

Musical na Broadway
  Poucos desenhos conseguiram reunir tantos nomes famosos em seus dubladores: James Earl Jones, responsável por dar voz ao personagem Darth Vader, emprestou seu porte vocal ao rei Mufasa. Para viver o arteiro protagonista Simba, ninguém mais apropriado que o eterno mata-aula de Vivendo a Vida Adoidado, Matthew Broderick. O calau azul Zazu era dublado por ninguém menos que Rowan Atkinson,  o Mr. Bean. Whoopie Goldberg interpretava uma das hienas, enquanto o vilão Scar era dublado por Jeremy Irons, o Brom de Eragon. Enfim, a lista de motivos para lembrar desse filme não termina por aqui, mas o post tem que acabar em algum lugar. Então espero que tenham gostado desse post, por que eu adorei escrevê-lo. Aquele abraço!

Felipe Essy

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Mais Perto da Capital

    Recentemente um teaser de A Esperança Parte I foi divulgado no site The Capitol,criado como se fosse um meio de comunicação da Capital com os distritos, mesclando ficção e realidade. Essa presença da Capital no mundo real surgiu como uma linha de esmaltes "assinada" pelo personagem Cina durante a campanha promocional de Jogos Vorazes. A ideia cresceu no segundo filme com um site de moda das tendencias da Capital com estilistas renomados, mas essa brincadeira está tomando proporções cada vez maiores e questionáveis.


    Como bem sabemos, a Capital no livro representa o contraste de uma cultura urbana consumista alienada aos custos do seus altos padrões de vida aos demais. O diretor Gary Ross adaptou isso muito bem para as telas, investindo no contraste de cores e extravagância da Capital com a palidez dos outros distritos, no entanto enquanto a produção do filme reafirma a ideia da escritora Suzanne Collins, as campanhas publicitárias exploram uma outra via perigosa.

   Antes que o primeiro filme da franquia fosse sequer lançado, o anúncio de que uma linha de esmalte inspirada na saga seria produzida causou uma grande polêmica, tendo em vista a contradição entre história e campanha publicitária, mas a equipe responsável pelo projeto não desistiu e solucionou o problema batizando-a Cina Glaze "Colors from the Capitol", utilizando-se de um personagem querido pelos leitores e associando a uma iniciativa típica da Capital.


    O problema é que isso não parou por aí: Quando Em Chamas chegou aos cinemas, a história tomou uma proporção muito maior: Um site inteiro foi criado para hospedar toda uma iniciativa voltada para a moda inspirada na Capital, o Capitol Couture (Moda Capital), incluindo contribuições de grandes estilistas da casa Dior e Alexander McQueen,  além de vários ensaios fotográficos e textos voltados às "novas tendências". Tamanho investimento tornou o Capitol Couture um verdadeiro canal de moda luxuoso, incentivando o consumo criticado nos livros.

    Isso tudo poderia ser apenas uma brincadeira se não mexesse com conflitos reais da nossa sociedade, pois mostra a linha tênue entre nós e aqueles cidadãos que se divertem com 24 jovens se matando num programa de televisão. A Esperança é meu livro preferido dos três justamente por não ser sobre a queda da Capital, mas da construção de "Capitais" e nós somos partes tão ativas nesse processo quanto os Idealizadores dos jogos, pois consumimos o produto desse processo. Agora temos o site oficial da Capital, outra "brincadeira" promocional da campanha publicitária da franquia, onde podemos nos cadastrar, fazer parte de um distrito e ajudar a Capital da nossa amada Panem. Não que eu leve isso a sério, mas lembrando do filme A Onda, em que um professor realiza um experimento formando um movimento fascista dentro da sala de aula, é de se pensar que as capitais ditatoriais que abominamos dos livros de história não estão tão longe da nossa realidade.

Felipe Essy

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Malévola e a Fragilidade das Histórias Infantis

      O tom sombrio da nova produção Disney impressiona quem lembra dos desenhos clássicos do estúdio, principalmente se pensarmos no tom romântico de A Bela Adormecida que inspirou Malévola. Aos poucos vemos vários estereótipos dos contos de fadas (que a própria Disney ajudou a perpetuar) serem abandonados como a princesa indefesa que não desfalece à espera de seu salvador (Enrolados), a menina que não precisa se casar para ter um final feliz (Valente) ou mesmo que o amor verdadeiro não vem de uma paixão à primeira vista (Frozen), mas Malévola traz um questionamento sobre as próprias histórias infantis.


   Antes de pensarmos nas ideias presentes em Malévola, vem o inevitável questionamento sobre sua justificativa na alteração do clássico original. Por que reescrever a história ao invés de adaptá-la como nos livros? Bem, talvez vocês se surpreenda em saber que a versão que você conhece também é uma releitura - e não é a única. A história de uma princesa amaldiçoada por uma fada que não é convidada ao batizado e despertada por um belo príncipe foi primeiramente publicada pelos irmãos Grimm como Dornröschen numa tentativa de resgatar e preservar o folclore alemão, no entanto ela é uma variação da fábula  La Belle au bois Dormant de duas partes escrita pelo francês Charles Perrault que por sua vez é uma releitura de um conto de fadas italiano "Sole, Luna, e Talia", muito provavelmente baseado em outras histórias, pois tanto A Bela Adormecida quanto outros contos de fadas eram inicialmente narrativas orais, readaptadas toda vez que eram contadas num contexto diferente, gerando inúmeras versões e isso foi um fator crucial para elas sobreviverem até o momento em que foram publicadas.


     Uma história somente sobrevive na memória popular a  medida que ela tem algum valor para as pessoas, se as ideias dela significam algo naquele contexto e a narrativa oral fazia essa adaptação automaticamente, no entanto assim que esses contos de fada foram publicados, eles tornaram-se estáticos e foram aos poucos se distanciando das pessoas que já não viviam nem pensavam como no século XVII. Mesmo assim a Disney pode explorar o imaginário infantil ainda muito romântico graças a influência francesa até o anos 60 quando o pensamento americano começou a se popularizar. Aquela imagem da mulher frágil em histórias envolvendo nobres em seus grandes castelos já não seduzia mais os jovens que começavam a produzir uma cultura urbana que contestava padrões de sexualidade e comportamento. Aos poucos a Disney percebeu que o modelo dos clássicos não atraía mais, seu público havia amadurecido muito com a televisão e certas coisas eram infantis demais até mesmo para uma criança. O próprio formato de desenho animado se tornou obsoleto depois do sucesso de animações de comédia como Shrek e poderia  ter sido o fim do que consagrou a Disney.

    As animações computadorizadas de comédia repetiram tanto a fórmula do ogro satirizando os contos de fada que rapidamente saturaram o público que já não se surpreendia em personagens ridicularizando coisas que todos já haviam entendido que não faziam sentido nas antigas histórias. Foi então que pouco a pouco, a Disney passou a produzir animações com o mesmo padrão estético característico de seus desenhos, mas mostrando personagens mais maduros e independentes que os protagonistas dos clássicos do estúdio, representando muito mais aquele novo publico. Assim chegamos à Malévola, uma releitura inteligente que mostra que o modelo de protagonista hollywoodiano que reprisamos nas novelas é tão fraco que é necessário explorar o vilão, naturalmente dotado de conflitos dramáticos na sociedade em que não se adapta.


    Apesar de Malévola ter vários elementos fantásticos e não mostrar a protagonista como uma criatura adoradora das trevas (diferentemente do desenho de 1959) para que o público se sentisse confortável em se aproximar do personagem de Angelina Jolie, a história de Malévola contada paralelamente a de Aurora (a bela adormecida) explora uma história de amor trágica e cheia de conflitos sem jamais abandonar a profundidade do problema e esse é sem dúvida o grande mérito do filme. Um conto de fadas amadurecido para um publico infantil que já cresce aprendendo a não ser criança. Essa abordagem pode fazer com que muitos pensem em Malévola como um filme um tanto pesado para crianças, mas o mesmo se disse de O Rei Leão em 1994 e hoje ninguém liga para isso. Somos nós que ainda não aceitamos completamente essa nova infância e se quisermos ter algo de valor para ensinar para eles, é melhor amadurecermos também.

Felipe Essy

terça-feira, 8 de abril de 2014

Uma Volta pelas Trilhas

     A trilha sonora, assim como a fotografia e efeitos especiais, é um recurso que pode ser usado como um complemento ou elemento principal em um filme, não raras vezes ela o transcende e ecoa durante décadas como os grandes temas do cinema, mas cada trilha tem uma proposta e é sobre elas que o blog divaga hoje.


     As trilhas sonoras surgiram antes mesmo que o cinema tivesse som, pois enquanto os filmes mudos eram exibidos era comum um pianista acompanhar a exibição estabelecendo ritmos alegres ou tristes para complementar a narrativa. Essa talvez seja a forma mais fácil de compreender como a trilha funciona, pois ela pode ser apenas uma camada de fundo ou ser usada para transmitir informações que a imagem não consegue. Como o cinema surgiu muito antes que instrumentos elétricos e outros recursos modernos estivessem à disposição, é natural que as trilhas tenham se desenvolvido por muito tempo através das orquestras sendo a forma mais comum de ilustrar um filme ainda hoje. Assim acho justo começar com atual mestre desse estilo mais tradicional que continua a compor músicas surpreendentemente criativas para uma modalidade tão revisitada: John Williams.

John Williams no centro, acompanhado de Steven Spielberg (dir.) e os personagens marcantes dessa parceria.
     Williams é um veterano em Hollywood e compôs alguns dos temas mais conhecidos do cinema. Dentre seus trabalhos conhecidos, pode se destacar os temas de Tubarão, E.T., Jurassic Park, Star Wars, Indiana Jones e Superman, que associamos aos filmes assim que os ouvimos e não apenas como uma vinheta, mas como uma representação musical da essência da história. Harry Potter e a Pedra Filosofal é um de seus melhores trabalhos onde podemos perceber a versatilidade de Williams em criar canções que conseguem representar a fantasia de um universo fantástico com músicas que não apenas repetem um tema constantemente com pequenas variações, como normalmente é feito, mas sequências totalmente diferentes - e geniais. No site Film Music Notes, o canadense Mark Richards analisa a faixa Hedwig’s Theme, que inicialmente era apenas o tema da coruja de Harry e se tornou a principal canção do filme. Reproduza a canção abaixo enquanto estiver lendo o trecho a seguir:



      O solo de celesta (piano com sons metálicos) combinado com alguns efeitos introduz uma atmosfera lúdica e misteriosa prestes a se anunciar com o acompanhamento de violinos que crescem ao fundo (0:34) se transformando numa sequência de cadências e progressões de cordas que lembram o voo da coruja, ao mesmo tempo que intensifica a atmosfera mágica do filme. Assim a trilha integra um filme como outra camada narrativa e não um mero fundo musical, mas conforme surgiram novas formas de representar visualmente uma história, as trilhas também desenvolveram outros meios.

Hans Zimmer absorto em sua ilha de trabalho.
       Hans Zimmer se tornou conhecido por explorar a melodia de ruídos e sons distorcidos para transmitir ao espectador a sensação do personagem em cena, ampliando a significação dos efeitos de som para criar metáforas musicais, de uma modo semelhante ao feito com os instrumentos tradicionais. Em Batman - O Cavaleiro das Trevas, Hans usa ruídos agudos e inconstantes feitos com a fricção repetitiva de um arco sobre as cordas de um instrumento para lembrar a tensão de um momento, por exemplo. Zimmer se aprofundou tanto nesses recursos em Batman que sua trilha se tornou um mero adorno sonoro para o filme perdendo sua fluidez musical própria, mas um equilíbrio entre a função e forma desse estilo pode ter resultados incríveis:

      Em O Homem de Aço Zimmer utilizou suas técnicas características apenas para ilustrar a perspectiva interna dos personagens enquanto destacava os temas do filme em sequências de progressão musicais transmitindo a ideia de superação e heroísmo, mas de uma forma contida para evitar o lúdico típico da versão clássica de 1978 composta por John Williams. Zimmer fala um pouco sobre sua forma de compor trilhas nesse breve vídeo de The Concious of Creating the Film Score (sem legendas):



      Assim como Hans Zimmer utilizou sons inusitados para criar uma nova maneira de integrar a música em filmes, a dupla Daft Punk utilizou elementos de música eletrônica fundidos com instrumentos eruditos para não apenas imergir o espectador na atmosfera de Tron - O Legado, mas criar o próprio ambiente do filme como uma ferramenta narrativa. Ao contrário de Hans Zimmer, o Daft Punk utilizou recursos eletrônicos para criar uma trilha tradicional, usando referências características de temas de videogames e hits dos anos 80 para criar uma realidade virtual épica numa espécie de cyber-ópera, nos fazendo sentir como um "usuário" daquele universo. Por isso o diretor Joseph Kosinski optou por cenários escuros e simples, deixando espaço para que a trilha nos provocasse a preencher o resto. A faixa "The Grid" resume um pouco essa ideia, progredindo conforme o narrador (Jeff Bridges) conta como entrou na Grade (uma realidade virtual):


      Um arpejo de metais anuncia a imersão do espectador (ou usuário) na história que começa com um sintetizador lembrando os jogos de videogame oitentistas. "A Grade. Um fronteira digital. Eu tentei imaginar conjuntos de informação como se elas se movessem pelo computador." E assim que "movessem pelo computador" é dito, um sequência continua de cordas começa a crescer como se representassem os elementos vistos pelo narrador. "Com o que eles se pareciam? Naves? Motos?" Os violinos dominam a música como se as naves e as motos tomassem o ambiente descrito. "Com circuitos feito estradas." A sequência cresce antecipando um fato que será revelado pelo narrador. "Eu continuei imaginando um mundo que eu pensei que jamais veria. E então um dia... Eu entrei." No momento da revelação os sintetizadores envolvem o espectador na atmosfera virtual do filme como se ele também entrasse no jogo.


     Espero que tenham gostado do post, pessoal, por que eu realmente gosto de falar sobre trilhas e poderia escrever mais se a postagem já não estivesse atrasada. Um grande abraço!

Felipe Essy

terça-feira, 25 de março de 2014

Quanto Vale uma História

   Buenas, pessoal. Hoje eu estava pensando em histórias, aquelas que marcam a gente e nos acompanham de alguma forma pelo resto de nossas vidas. Um livro, um filme, um desenho, até uma música, não importa o formato, histórias fazem parte da gente e é sobre isso que o post divaga hoje.


   Normalmente associamos histórias à fantasia, algo não real e quem aprecia uma leitura ou mesmo filmes acaba muitas vezes sendo visto como uma pessoa que se desconecta da realidade, entorpecida em seus sonhos de verão. Realmente a Terra-Média tem seus encantos, mas será mesmo isso que nos seduz nessa arte? Um meio de fugirmos dos nossos problemas? Acho que não. Na verdade, eu acredito justamente no contrário: Nós gostamos de histórias por que nos identificamos com ela.

   Desde as novelas das nove até as grandes tragédias shakespearianas, as histórias mais populares são aquelas que exploram temas que todo ser humano conhece e se depara em algum momento: sentimentos. Amor, ódio, vingança, medo, tudo que está em nós como uma bomba relógio prestes a estourar quando se colide com valores emocionais diferentes. Até mesmo nos grandes épicos da fantasia esses elementos são o que sustentam uma trama, pois se não há uma justificativa forte para os personagens se envolverem em uma empreitada, não conseguimos nos entregar a história, não nos apropriamos dela.

   O que diferencia uma história boa de uma ruim então? O quanto ela significa para nós e isso só acontece se houver algo ali que nos convença, que faça sentido, sendo assim um livro ou um filme, mesmo que de ficção, não nos cativa se não apresentar elementos que de certa forma trabalhem nossa realidade, seja através de problemáticas sociais ou emocionais, e é isso que torna algumas histórias tão importantes: por que em algum momento, nos inserimos naquele personagem rodeado de obstáculos esperando que ele nos mostre como chegar no ponto final.

Felipe Essy

terça-feira, 4 de março de 2014

Lapidando o Oscar 2014

    Buenas, pessoal! Com a entrega do Oscar, ficaram algumas dúvidas sobre os candidatos menos conhecidos e dúvidas quanto alguns que não levaram a estatueta para casa. Por isso o blog resolveu falar sobre alguns dos principais premiados - ou não - que passaram pelo tapete vermelho.



MELHOR ATOR - Matthew McConaughey (Dallas Buyers Club)

Matthew contracenando com DiCaprio em sua breve participação em "O Lobo de Wallstreet".
    Antes que se faça a inevitável defesa de Leonardo DiCaprio, há de se ressaltar que a premiação de Matthew no papel do irreverente traficante aparentemente não foi desmerecida, mas quando comparamos com a performance visceral de DiCaprio em O Lobo de Wallstreet, somando ao reconhecimento pendente de seus trabalhos anteriores em A Ilha do Medo, Origem, Prenda-me se for Capaz e por aí vai... fica evidente que sua premiação era necessária. Sendo assim, é óbvio que há alguma coisa errada aí.

    Todo mundo já viu DiCaprio apenas como o rostinho bonito sem talento por causa de Titanic, mas tudo bem, excesso de publicidade faz isso mesmo. Na última década porém ele realizou um série de atuações com diferentes propostas, muitos ao lado do diretor Martin Scorsese, incluindo O Lobo de Wallstreet, atingindo um amadurecimento profissional notável, cuja qualidade nem se discute no meio cinematográfico. Então surge o questionamento: "Por que a Academia rejeitou sua premiação pela quarta vez?" Como tudo, isso remonta provavelmente a algo muito anterior.


    Em 1997 Titanic foi indicado a 14 estatuetas, um recorde nunca repetido desde então, incluindo melhor atriz para Kate Winslet, no entanto o mesmo não aconteceu com Leonardo DiCaprio que não se conformou, embora tenha sido indicado ao Globo de Ouro. Indignado, DiCaprio recusou-se a ir a cerimônia o que aparentemente marcou sua "popularidade" na Academia. Não que DiCaprio precisasse de um Oscar, mas depois de quatro indicações, é de se perguntar a razão disso tudo, mas a opinião de DiCaprio sobre isso mostra que ele já não se importa muito com isso, como podemos entender no seu discurso debochado quando recebeu o Globo de Ouro esse ano por sua atuação em O Lobo de Wallstreet:
"Eu gostaria de agradecer a imprensa estrangeira de Hollywood, mas isso não é uma droga de Oscar, mas isso será muito útil como um peso de papel. A questão é, eu congelei minha bunda para deixar aquela vaca da Rose sobreviver e o que eu recebi um troca? Talvez eu devesse ter chamado a maldita Jeniffer Lawrence para interpretar o papel da minha vida. Eu me fodo trabalhando e tenho apenas quatro indicações e nenhuma estatueta. Eu acho que ninguém aqui nessa sala me entende. Ah, me desculpe, Amy (Adams). Eu esqueci que você estava aí.(indicada cinco vezes sem vencer). Esqueçam tudo que eu disse. Eu não estou agradecendo ninguém. Vocês todos deveriam se curvar diante de minha grandeza. Academia (Oscar), você pode chupar o meu pau."
Leia mais sobre o filme no post O Lobo de Wallstreet.

DIREÇÃO: Alfonso Cuarón (Gravidade)


    Com sete estatuetas, pode-se dizer que o diretor finalmente conquistou seu reconhecimento em Hollywood, meio esquecido desde sua breve participação na adaptação da famosa saga de J.K. Rowling com Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. Sem dúvida a narrativa continua abusando de recursos de fotografia e som renderam a Cuarón sua parcela de mérito nas demais premiações técnicas do filme. Com as incríveis onze indicações ao Oscar, Gravidade ainda levou sete, satisfazendo a crítica e público maravilhados com a produção, no entanto mesmo sendo um ótimo filme de entretenimento, a superficialidade da história e inúmeras extrapolações (como os 10% de oxigênio que duraram metade do filme) comprometem um pouco a justificativa da história, o que compromete inevitavelmente o filme como um todo. Pensando nisso, talvez Martin Scorsese fosse o melhor candidato com a cinebiografia O Lobo de Wallstreet, mas apesar do grande trabalho, não é algo surpreendente vindo do diretor conhecido por adaptar a vida real para as telas como em O Aviador e Gangues de Nova York, além disso os últimos filmes de Scorsese receberam várias estatuetas, incluindo melhor diretor em Os Infiltrados. Sendo assim, é natural unir a aclamação de público com um incentivo a um diretor estrangeiro em início de carreira cinematográfica.


FOTOGRAFIA, EDIÇÃO E EFEITOS ESPECIAIS - Gravidade


     O grande mérito de Gravidade com certeza são os efeitos especiais, criados pela equipe de Tim Webber, que já havia trabalhado em Avatar, trabalho esse que já representa bem a competência do técnico. Se você olhar fotografias do set de filmagem sem o trabalho de Webber, você se surpreenderá com tudo produzido pela Framestore, responsável pelo desenvolvimento computadorizado do filme.Claro que cenários completamente projetados digitalmente não são novidade, mas a fidelidade do cenário e acabamentos continuam impressionantes. Sabendo disso é evidente a importância dos efeitos especiais para a fotografia do filme, pois era responsabilidade de Webber e sua equipe ajustar o nível de sombra nos objetos de cena até a formação da perspectiva de enquadramento. O que sempre foi motivo de discussão na academia e meio cinematográfico em geral é até onde o trabalho computadorizado não compromete a validade da produção artística, pois atuações computadorizadas como o personagem Gollum de Andy Serkis em O Senhor dos Anéis ainda são sumariamente descartadas das premiações, sob a alegação de que sua performance dramática era alterada demais pela computação gráfica. O questionamento que fica é se isso não se aplicaria também a fotografia, mas isso já é assunto para outro post.


TRILHA SONORA (Steven Price), EDIÇÃO E MIXAGEM DE SOM - Gravidade


    Um nome desconhecido até para mim que gosto de trilhas, Steven Price ainda está no início de sua carreira em Hollywood como compositor, mas assim que escutei o disco de Gravidade percebi uma grande semelhança com a trilha de Batman Dark Knight, de Hanz Zimmer e James Newton Howard, pois é uma caraterística marcante de Zimmer utilizar ruídos e sons inusitados para compor seus trabalhos, às vezes até perdendo um pouco de melodia para manipular melhor a percepção do espectador, o que pode gerar uma discussão sobre a indicação desse tipo de trilha que, ao mesmo tempo que não exatamente um disco de música como normalmente pensamos, também esmerasse na sua função principal que é completar o significado visual e ampliando seu efeito, o que com certeza foi muito bem feito por Steven Price, afinal não foi a toa que notei a semelhança entre ele e os compositores de Dark Knight, pois ele já trabalhou com ambos nos discos da adaptação de Christopher Nolan, além de se inspirar notavelmente no trabalho de Zimmer. Agora se isso faz de Steven Price o vencedor, depende muito se você acredita que uma boa trilha é aquela que ilustra adicionando significado ao filme as custas de seu valor como música independentemente da obra que integra.

Leia mais sobre o filme no post Gravidade Fora de Órbita.


FIGURINO E DESIGN DE PRODUÇÃO - O Grande Gatsby


     A premiação a construção estética do filme não se da apenas por retratar minuciosamente os trajes e cenários de época, mas pela dimensão desse trabalho inacreditavelmente realizado. Se já não bastasse produzir figurinos nos moldes da década de 20 para 30, Catherine Martin trouxe Miuccia Prada, neta do fundador da refinada marca, reproduzindo modelos originais tirados da coleção particular da família com fidelidade encantadora. Se já não bastasse essa ajuda de peso, Catherine ainda desenvolveu uma parceria com a famosa joalheria Tiffany que confeccionou peças especialmente para o filme causavam tanta agitação que a atriz Carey Mulligan tinha que ser escoltada toda vez que as usava em cena. Sem dúvida, uma premiação merecida pelo esmero da produção.



ANIMAÇÃO E CANÇÃO ORIGINAL - Frozen


     Há dez anos atrás o medo da industria de desenhos como a Walt Disney era a progressiva popularidade das animações computadorizadas que ameaçava o mercado pelo qual o estúdio havia construído sua imagem, no entanto passada a onda de comédias computadorizadas satirizando contos de fadas, a Disney percebeu que poderia utilizar os novos recursos para contar as mesmas histórias e Frozen é aparentemente um dos melhores trabalhos nesse sentido até agora. A narrativa cantada comum nos antigos desenhos e abolida nas animações modernas voltou ao cinema trazendo novamente as características lúdicas que consagraram o estúdio que foi um grande responsável pelo surgimento da categoria na premiação, pois somente depois de mais de 80 vagando entre os curta-metragens e melhor canção o gênero ganhou sua própria estatueta em 2001 com Shrek, embora outros desenhos já tivessem recebido prêmios especiais.

     Frozen traz de volta a essência dos desenhos Disney da protagonista feminina como uma princesa, no entanto conforme aprendeu em Valente, o estúdio altera o tradicional conto de fadas para uma história de amor entre irmãs e não de um casal, onde o centro da história é a busca da felicidade no eu e não no outro de uma forma mais atraente para o publico que não se identificou tanto com a independência egocêntrica de Merida. Somada a beleza do inverno num mundo de fantasia, Frozen arrebatou a estatueta de outras animações que ainda não se livraram dos moldes cômicos como Meu Malvado Favorito 2 ou infelizmente não conseguem vencer o preconceito cultural como os traços orientais de The Wind Rises. A animação de Walt Disney ainda levou para casa o oscar de melhor canção por "Let it Go", lembrando a presença quase invicta na categoria durante os anos 90.

Além destes, outros filmes também foram premiados. Como eu ainda não assisti para comentar, deixo o resto da listagem abaixo para você conferir. Um abraço!

Felipe Essy

Melhor Filme, Atriz Coadjuvante (Lupita Nyong'o), Roteiro Adaptado: 12 Anos de Escravidão.
Maquiagem, Ator Coadjuante (Jared Leto): Dallas Buyers Club.
Melhor Atriz (Cate Blanchett): Blue Jasmin
Melhor Documentário de Longa Metragem: 20 feets from Stardom
Melhor Documentário de Curta Metragem: A Senhora do número 6 - A Música Salvou a Minha Vida.
Filme Estrangeiro: A Grande Beleza (Itália)
Curta Metragem: Helium