quarta-feira, 25 de junho de 2014

Machismo às Avessas

Buenas, pessoal. Lendo o texto de Ruth Manus* sobre a mulher moderna criada para ser independente que se frustra com um o homem que não estava preparado para ela, percebi que isso aponta outro problema: A mesma sociedade que abriu portas para a mulher continua a deixar o homem trancado com medo que ele "saia do armário". Resultado? Confere aí:


    Crescemos numa geração educada pelas novelas e publicidade que nos ensinou que a mulher não tem função de empregada numa família, que ela pode - e deve - estudar, construir uma carreira e ter sua vida independente de casar ou não, no entanto a mesma família que não criou a filha para ser dona de casa, se esqueceu de ensinar o filho homem a viver sem aquela mulher dos anos 50 e isso pressiona a mulher a assumirem responsabilidades para as quais não foram criadas graças a um medo, quase uma paranoia, de que criar filhos homens fora do padrão tradicional é "arriscado".

     Família e amigos de diferentes instituições que frequentamos ao longo da vida cobram muito mais da criança que ela não vire gay do que se torne homem. Isso faz com que os pais evitem (mesmo aqueles não homofóbicos) qualquer coisa que possa incentivar seus filhos a se "desviarem", e obviamente tarefas domésticas comumente associadas a feminilidade durante décadas são as primeiras a passar longe da formação de um menino. Isso cria homens dependentes de suas mães que naturalmente irão procurar esse papel na suas companheiras, mas a mulher também não cresceu para servir o marido e temos assim o atual colapso dos relacionamentos modernos.

     Seria muito fácil, mas extremamente equivocado culpar os pais por isso. Não existem manuais para criar um filho, apenas referências de pessoas com essa experiência, então naturalmente certos padrões que já não funcionam mais como o homem provedor e a mulher dona de casa sejam repetidos juntamente com novos conceitos que não combinam sem que percebamos, afinal entender o ser humano é algo realmente muito complexo  - se for possível. Das instituições mais capazes de familiarizar indivíduos com esse novo problema, os meios de comunicação talvez sejam a melhor ferramenta pedagógica, pois a televisão foi a grande responsável por disseminar e popularizar a imagem da mulher moderna, no entanto continua estigmatizando o homem nos velhos padrões de sujeito que não se envolve com os afazeres domésticos. Numa sociedade que ainda não consegue retratar casais gays como algo comum, mas sempre como um alvo de polêmica nas novelas, talvez um homem no tanque seja a nova sensação.

Felipe Essy

* Leia o texto de Ruth Manus aqui.

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