sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Revolução à Prestação


      Os sites de notícia não param de falar desse tal de "rolezinho". Aparentemente só um encontro marcado entre amigos para se divertir está transformando numa "revolução dos oprimidos". O que começou com um grupo de pessoas sendo barradas no shopping por medo ou ignorância dos proprietários virou uma nova estratégia de marketing. Se aproveitando dessa necessidade desenfreada das pessoas em consumir o entretenimento em vez de gerá-lo por si mesmas, o comercio está transformando "rolezinhos" em revolução das massas para vender camisetas do Che Guevaras.

     Tem gente dizendo que "é um grito pelo lazer", hãn? Desde quando lazer é algo proibido? Eu não sou obrigado a ir em certos lugares, se os donos são arrogantes eu posso muito bem procurar outros estabelecimentos, há tanta coisa para se fazer, ainda mais em cidades como São Paulo e Rio onde tudo isso está acontecendo. Além do mais é verão, sério que está tão difícil assim achar algo divertido? Eu acho que o real problema é que as pessoas não querem mais se dar ao trabalho em pensar em alguma coisa para fazer, querem que esteja lá, pronto para o consumo, na vitrine, na lancheria, no parque e acabam ficando na mão dos proprietários desses estabelecimentos, e o que acontece quando eles são privados da única forma de lazer a qual foram condicionados? Revolta, mas uma revolta infantil, de quem perdeu o brinquedo e não de quem foi expulso por preconceito. Há um problema, claro, mas a razão dele está oculta, pois assim o sistema continua a se alimentar de todas essas pessoas.

       Já que estamos falando de revolução, onde foi para o "faça você mesmo"? Ontem mesmo fui convidado para um evento que estão organizando aqui na cidade sobre sagas adolescentes como Harry Potter e Jogos Vorazes, e advinha? Feito por adolescentes para eles mesmos. O Baú da Borges foi a mesma coisa. O pessoal da Cidade Alta queria uma opção de lazer e não foi resmungar para os outros fazerem, se reuniram e fizeram, gerando esse belo fruto que temos todo domingo. Também agora temos o Sábado na Praça lá na Boa Viagem. Por isso tome cuidado, não deixe que a mídia transforme o seu problema em negócios para os outros, faça dele a sua própria solução.

Felipe Essy

2 comentários:

  1. Ótimo texto!!!! É isso mesmo, as pessoas querem tudo enlatado para consumo e esquecem que a diversão está na criação!!!!

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  2. Brigado, amor ;) É exatamente sobre isso que eu estava falando, sobre as pessoas da nossa geração que, tão acostumadas ao instantâneo e virtual, esquecem-se de que há um mundo lá fora cheio de experiências e descobertas que não precisam de dinheiro, afinal algumas das melhores criações tanto artísticas quanto industriais nascem justamente da necessidade, seja por praticidade ou lazer.

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